Nova Zelândia preocupada com interferências estrangeiras e ataques cibernéticos
27 de mar. de 2023, 11:24
— Lusa/AO Online
Mais
de um terço dos incidentes de segurança cibernética registados no ano
passado partiram de piratas informáticos ligados a agências
governamentais de outras nações, de acordo com dados oficiais.A
competição geoestratégica entre potências mundiais, incluindo na região
Indo-Pacífico, está a afetar a Nova Zelândia e os interesses nacionais
estão "sob ameaça", disse hoje no parlamento o diretor-geral do gabinete
de segurança da comunicação do Governo, Andrew Hampton."Alguns
Estados perseguem com mais facilidade objetivos contrários à ordem
internacional baseada em regras, incluindo através de meios informáticos
maliciosos", disse Hampton, sem mencionar diretamente a que países se
referia.Sem visar nenhum país em
particular, o diretor-geral dos serviços secretos da Nova Zelândia, Phil
McKee, disse, num discurso citado pela Radio New Zealand, que a
interferência estrangeira e as atividades de espionagem têm o potencial
para causar "danos significativos" ao país.Em
2022, foram registados mais de 350 incidentes de ataques cibernéticos
na Nova Zelândia, com pelo menos 118 (34%) ligados a piratas
patrocinados por Estados estrangeiros, notou ainda Hampton.Nos
últimos meses, o país manifestou preocupação com a expansão da
influência da China nas ilhas do Pacífico, especialmente na sequência do
pacto de segurança assinado, em 2022, entre o gigante asiático e as
Ilhas Salomão.Os serviços de inteligência
também relataram hoje que, no ano passado, desmantelaram três potenciais
ataques terroristas, um deles ligado a um simpatizante do Estado
Islâmico e dois a supremacistas brancos.A
Nova Zelândia, um país com baixos níveis de criminalidade, foi palco em
2019 de um massacre levado a cabo por um supremacista branco contra duas
mesquitas na cidade de Christchurch, que resultou em 51 mortos e 40
feridos, e de um ataque terrorista, em setembro de 2021, que fez seis
feridos em Auckland.