Nova sede traz mais respostas a pessoas com demência

Hoje 11:20 — Filipe Torres

O Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer assinala-se hoje, 21 de setembro. Que significado tem esta data para a Associação Alzheimer Açores - alza e que mensagem gostariam de deixar às pessoas com demência, às suas famílias e à sociedade em geral?É uma data de grande importância para a Associação Alzheimer Açores – alza. Este dia representa uma oportunidade para sensibilizar a sociedade sobre a realidade da Doença de Alzheimer (DA)e de outras demências, bem como para destacar a importância do apoio às pessoas afetadas e aos seus familiares.Para a alza, esta data tem um significado especial de solidariedade, empatia e esperança. É um momento para reforçar o compromisso com a melhoria da qualidade de vida das pessoas com demência, promover a inclusão, combater o estigma e incentivar políticas públicas de apoio e cuidados mais eficazes.A mensagem que a associação gostaria de deixar é de força, compreensão e união. Para as pessoas com demência, é importante transmitir que não estão sós e que existem redes de apoio que as acompanham com respeito e dignidade. Para as famílias, é fundamental reconhecer que desempenham um papel essencial, mas que também merecem cuidado, apoio e reconhecimento pelo seu esforço e dedicação. Para a sociedade em geral, fica o apelo a uma maior consciencialização, à humanização dos cuidados e à construção de uma comunidade mais acolhedora, que respeite e valorize as pessoas com demência.Esta efeméride é, assim, um convite à reflexão, à ação conjunta e à construção de um futuro onde a DA seja enfrentada com conhecimento, sensibilidade e solidariedade.A alza tem vindo a trabalhar numa nova sede. A nova estrutura não está inaugurada, mas em funcionamento. Que mudanças representa este novo espaço para a Associação e para as pessoas que acompanha?Esta nova estrutura representa um importante avanço para a alza, permitindo proporcionar um acolhimento mais digno e adaptado às necessidades das pessoas com demência e das suas famílias.O novo espaço oferece melhores condições físicas, proporcionando um ambiente mais confortável, seguro e adequado à realização de atividades destinadas às pessoas com doença de Alzheimer e outras demências. A ampliação dos espaços permite também acolher um maior número de utentes e desenvolver programas mais diversificados, incluindo terapias, workshops, grupos de apoio e ações de formação.A nova estrutura facilita ainda a intervenção de equipas multidisciplinares, disponibilizando melhores recursos para a prestação de cuidados integrados, nomeadamente ao nível do acompanhamento psicológico, social e clínico. Ao mesmo tempo, a nova sede contribui para tornar a associação mais acessível à comunidade e para aumentar a visibilidade do trabalho desenvolvido pela alza, reforçando o impacto das suas ações sociais e campanhas de sensibilização.A existência de um espaço mais funcional cria também melhores condições para estabelecer novas parcerias e fortalecer a colaboração com outras entidades locais e regionais, permitindo desenvolver projetos e atividades em conjunto.Em suma, a nova sede representa um passo importante para melhorar a qualidade dos serviços prestados, reforçar o apoio às pessoas com demência e às suas famílias e promover um ambiente mais inclusivo, seguro e acolhedor para todos aqueles que recorrem à alza.A prevenção é cada vez mais salientada quando se fala de demência . O que pode cada pessoa fazer, ao longo da vida, para reduzir o risco de desenvolver a doença de Alzheimer?A prevenção do risco de desenvolver a doença de Alzheimer é um tema importante e cada vez mais presente nas discussões sobre demências. Embora não exista uma forma garantida de evitar a doença, várias atitudes e hábitos ao longo da vida podem ajudar a reduzir o risco e proteger a saúde cerebral.Uma alimentação saudável é importante para a saúde do cérebro. Optar por uma dieta equilibrada, rica em frutas, legumes, cereais integrais, peixe e gorduras saudáveis, como as presentes no azeite e nos frutos secos, pode contribuir para a proteção cerebral. A prática regular de atividade física também é recomendada, pois ajuda a melhorar a circulação cerebral, controlar o peso, reduzir a pressão arterial e melhorar o humor.É igualmente importante manter a mente ativa através da leitura, de jogos, da aprendizagem de novas competências, de línguas ou de outras atividades cognitivas. Estas atividades podem contribuir para manter as capacidades cognitivas e atrasar o aparecimento de sintomas de demência. Manter uma vida social ativa também é benéfico, uma vez que a interação com outras pessoas ajuda a reduzir a solidão e o isolamento.Outro aspeto importante é controlar fatores relacionados com a saúde, como a hipertensão, a diabetes, o colesterol elevado e a obesidade, que podem afetar a saúde dos vasos sanguíneos e do cérebro. Também é aconselhável evitar o consumo excessivo de álcool, uma vez que este pode ser prejudicial para o cérebro e aumentar o risco de demência.Dormir bem é igualmente importante, pois um sono de qualidade contribui para a memória e para o funcionamento saudável do cérebro. Além disso, é importante aprender a gerir o stress, através de técnicas de relaxamento, meditação ou outras atividades que promovam o bem-estar.Adotar um estilo de vida saudável e equilibrado desde cedo é uma forma importante de cuidar da saúde do cérebro e de reduzir o risco de Alzheimer e outras demências. Pequenas mudanças nos hábitos diários podem contribuir para um envelhecimento mais saudável ao longo do tempo.Nos Açores, qual é atualmente a realidade das pessoas com DA e das suas famílias? A realidade das pessoas com DA nos Açores tem vindo a ser reconhecida e abordada de forma crescente nos últimos anos. Em abril de 2026, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprovou uma resolução que recomenda ao Governo Regional o reforço da resposta pública à DA e outras demências. Esta resolução propõe medidas como a promoção de inquéritos populacionais de saúde, apoio a projetos de investigação científica em parceria com a Universidade dos Açores, e a criação de uma rede integrada e descentralizada de apoio, envolvendo unidades de saúde, autarquias, instituições particulares de solidariedade social e a Associação Alzheimer Açores -alza.Além disso, o Governo Regional renovou o programa “Novo Idoso” para 2026, com um investimento de 5,53 milhões de euros, visando promover o envelhecimento ativo e saudável em casa, com apoio especializado. Este programa tem demonstrado resultados positivos, incluindo a melhoria da qualidade de vida e redução da solidão entre os idosos. No entanto, apesar destes avanços, a perceção das pessoas com DA e das suas famílias sobre a adequação das respostas existentes pode variar. A implementação efetiva das medidas propostas e a articulação entre as diversas entidades envolvidas são cruciais para garantir que as necessidades desta população sejam plenamente atendidas. A contínua avaliação e adaptação das políticas públicas, bem como o envolvimento ativo das comunidades, são essenciais para melhorar a qualidade de vida das pessoas com DA nos Açores. A deteção precoce pode fazer diferença na forma como a DA é acompanhada.  Que sinais devem levar uma pessoa ou uma família a procurar ajuda especializada?A identificação precoce da doença de Alzheimer é essencial para garantir um acompanhamento mais adequado, podendo contribuir para prolongar a autonomia da pessoa afetada e facilitar a organização dos cuidados necessários. Reconhecer os sinais de alerta e saber quando procurar ajuda especializada é importante para que seja possível intervir o mais cedo possível.Alguns sinais devem merecer especial atenção, sobretudo quando surgem de forma frequente e progressiva. A perda de memória que interfere com o quotidiano pode manifestar-se através do esquecimento de informações recentes, como acontecimentos, nomes ou compromissos importantes. Também podem surgir dificuldades na realização de tarefas habituais, como cozinhar, gerir dinheiro, utilizar o telemóvel ou conduzir, mesmo quando essas atividades eram anteriormente realizadas com facilidade.A desorientação no tempo e no espaço é outro sinal a ter em consideração. A pessoa pode apresentar dificuldade em identificar datas, estações do ano ou até em reconhecer o local onde se encontra, mesmo que seja um espaço familiar. Podem também surgir alterações na linguagem, como o esquecimento de palavras comuns ou dificuldades em acompanhar e participar numa conversa.Alterações na capacidade de julgamento e na tomada de decisões também podem indicar a necessidade de avaliação. A pessoa pode começar a tomar decisões inadequadas, ter dificuldade em resolver problemas simples ou apresentar comportamentos mais impulsivos. Do mesmo modo, mudanças na personalidade e no comportamento, como apatia, ansiedade, desconfiança, agressividade ou alterações repentinas de humor, devem ser valorizadas.Em fases mais avançadas, podem ainda ocorrer dificuldade em reconhecer familiares ou amigos, sendo este um sinal que merece uma avaliação especializada. Quando estes sinais são observados, principalmente quando se tornam persistentes e progressivos, é importante procurar orientação de um profissional de saúde, como um médico, neurologista, neuropsicólogo ou uma equipa multidisciplinar. Uma avaliação atempada pode permitir a adoção de estratégias e tratamentos que contribuam para retardar a progressão da doença, facilitar o planeamento do futuro e das decisões legais e financeiras, bem como possibilitar um acesso mais adequado aos apoios e serviços disponíveis. Além disso, o diagnóstico pode ajudar a proporcionar suporte emocional à pessoa e à sua família. A alza está disponível para orientar e acompanhar as pessoas e famílias ao longo deste processo, disponibilizando informação, avaliação inicial e encaminhamento para os cuidados mais adequados.