Nova presidente avisa que Sindicato dos Funcionários Judiciais não vai aceitar remendos
25 de jul. de 2025, 17:02
— Lusa/AO Online
"Não aceitaremos
remendos. Não aceitaremos soluções minimalistas. Exigimos justiça para
quem assegura a justiça", afirmou Regina Soares, ao discursar na
cerimónia de tomada de posse dos órgãos sociais do SFJ para os próximos
quatro anos, no auditório do Museu do Vinho Bairrada, em Anadia.O
Governo e o SFJ chegaram, em fevereiro, a acordo para a revisão do
Estatuto dos Oficiais de Justiça, prosseguindo as negociações sobre
diversas matérias.Sublinhando que os
funcionários judiciais praticam "atos imperativos com força executória
conferida por lei" e não "meros atos administrativos", a presidente do
SFJ apelou ao Governo que tenha "visão estratégica" e reforce o papel
dos oficiais de justiça "como agentes essenciais do sistema judicial
democrático".Regina Soares alertou ainda
para "o sofrimento ético dos oficiais de justiça", originado pela
"sobrecarga real de trabalho, a pressão diária para cumprir prazos
irrealistas, a escassez crónica de meios, e a dolorosa consciência de
que, por vezes, o próprio sistema acaba por produzir mais injustiça do
que justiça".A dirigente sindical pediu,
por isso, a implementação de "políticas sérias de saúde mental" e
"cargas de trabalho humanamente possíveis".Regina
Soares é funcionária judicial há 30 anos e foi, em 03 de julho, a
primeira mulher a ser eleita presidente do SFJ, o mais representativo
dos funcionários judiciais.Sucede a António Marçal, cuja direção Regina Soares integrou como secretária executiva da região de Lisboa."Cinquenta
e um anos depois do 25 de Abril, uma mulher chega, pela primeira vez, à
presidência do nosso sindicato. Esta não é apenas uma conquista
individual, é a expressão viva das transformações sociais e democráticas
que construímos juntos, e das quais o movimento sindical é um pilar
fundamental", salientou hoje Regina Soares.