Nova lei da saúde mental apresentada quinta-feira no parlamento
10 de out. de 2022, 12:37
— Lusa/AO Online
“Com esta
nova lei vamos dar um passo mais além e vamos manter Portugal na
liderança dessa visão sobre os doentes de saúde mental”, cuja “dignidade
e cujos direitos humanos não podem ser questionáveis de nenhuma forma e
em nenhum momento”, disse Manuel Pizarro na conferência “Tornar a saúde
mental e o bem-estar uma prioridade global”, que decorre esta segunda-feira em Lisboa
e assinala o Dia Mundial da Saúde Mental.O
ministro da Saúde avançou que a nova lei será apresentada no plenário
da Assembleia da República na próxima quinta-feira e que é o resultado
do trabalho de um grupo de especialistas.Segundo
o ministro, a nova lei “vem consolidar uma tradição humanista e
progressista da legislação portuguesa em matéria de saúde mental”.Sublinhou
que a lei que ainda está em vigor, do final dos anos 90, foi já na
altura, e permanece ainda hoje, “como uma lei de pendor profundamente
humanista, valorizando a dignidade das pessoas que sofrem de patologias
da saúde mental”.“Pode ser apenas
simbólico, mas o desaparecimento do conceito ou a substituição do
conceito de internamento compulsivo pelo conceito de internamento
voluntário, se é apenas simbólico, é um símbolo muito correto, de uma
atitude de respeito pelo ser humano na sua globalidade”, afirmou o
governante na conferência organizada pela Coordenação Nacional das
Políticas de Saúde Mental (CNPSM).À margem
da conferência, o coordenador nacional das Políticas de Saúde Mental,
Miguel Xavier, explicou que a nova lei tem “fundamentalmente a ver com a
questão dos direitos humanos”, reforçando os princípios que já estavam
na lei há 20 anos. “É preciso nós
percebermos que a lei de há 20 anos não é uma lei que tenha caído em
desuso, muito pelo contrário, é uma ótima lei, foi muitíssimo bem
feita”, ressalvou o psiquiatra. O que se
passa, esclareceu, é que, desde há 20 anos, surgiram novos elementos,
novas recomendações internacionais e novos compromissos que Portugal
assumiu e que ratificou em termos internacionais e esses compromissos
têm de ser incorporados na lei”, mas os princípios e a filosofia geral
são os mesmos.
Segundo o psiquiatra, a lei “avança um pouco” em termos do
cumprimento de direitos humanos no campo das diretivas antecipadas, na
gestão de património, do maior acompanhado.