Nova gestão privada da Santa Catarina assegura postos de trabalho na conserveira
2 de ago. de 2022, 11:20
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, o responsável pela SCA, Rogério Veiros,
assegurou a permanência dos funcionários da conserveira açoriana e disse
que a fábrica até precisa de “aumentar o número de trabalhadores
disponíveis”.“Transitamos todos os
funcionários que estão no ativo da Santa Catarina para a SCA. Iremos
assumir esta responsabilidade, mas precisamos de contratar funcionários e
estamos com dificuldades de contratação no mercado local. Prevemos,
inclusive, a contração de fora do país”, revelou.A
conserveira Santa Catarina, que emprega perto de 140 pessoas, das quais
109 mulheres, foi consignada à gestão privada, conforme tinha
revelado o presidente do executivo açoriano de coligação PSD/CDS-PP/PPM,
José Manuel Bolieiro, a 22 de julho.A 26 de fevereiro, tinha sido anunciado que o agrupamento de Rogério
Veiros, que presidiu à Santa Catarina entre 2015 e 2021, tinha ficado em
primeiro lugar no concurso público para explorar a conserveira, por
mais de sete milhões de euros.Segundo
Rogério Veiros, “além de preparar toda a logística”, os novos gestores
da Santa Catarina tiveram de realizar um “investimento numa entrega de
garantia bancária a dez anos” no valor de 412 mil euros.“Teremos
que pagar nos próximos dez anos uma renda mínima anual de 206 mil euros
e, no final dos dez anos, temos o direito de exercer a opção de compra
no valor de cinco milhões de euros”, referiu.O
empresário disse também prever a realização de investimentos nos
“próximos anos” para “melhorar a eficiência energética” e aumentar a
produtividade da conserveira.“Vamos
rapidamente reativar a comercialização dos patés que habitualmente eram
feitos nesta fábrica. Nós queremos reintroduzi-los no mercado, mas para
isso precisamos de criar algum investimento e espaço na fábrica",
acrescentou.A nova administração pretende
ainda lançar um produto de “atum temperado pronto a consumir” e utilizar
os fundos comunitários para criar uma loja na fábrica.“Essa
loja irá responder a um conjunto de solicitações muito grande, desde
visitantes, residentes e operadores turísticos”, sustentou,
perspetivando que a loja entre em funcionamento no “próximo verão”.Considerando
que o “pior já passou” quanto à sustentabilidade da Santa Catarina,
Rogério Veiros lembrou que a conserveira viveu nos últimos anos com um
"pesado passivo em cima de si”, apesar de ter registado um “trajeto de
crescimento na produção e nas vendas”.“A
SCA vai explorar esta fábrica sem o passivo e isso vai facilitar a
gestão do dia-a-dia da fábrica. Além disso, a Santa Catarina não poderia
concorrer aos investimentos por fundos comunitários para melhoria da
fábrica. A SCA vai poder fazê-lo”, reforçou.Em
maio, foi assinado o contrato de exploração a privados, que pressupõe o
pagamento de um montante não inferior a sete milhões de euros
repartidos por 10 rendas anuais.O contrato foi assinado entre a Lotaçor (Serviço de Lotas dos Açores), a sua subsidiária Santa Catarina e a SCA.Construída
em 1940, a fábrica de atum Santa Catarina está instalada na Fajã
Grande, na Calheta, ilha de São Jorge, e tem 140 trabalhadores que o
privado se comprometeu a manter.Em 2008, o
Governo Regional, liderado pelo PS, anunciou a decisão de comprar a
fábrica de conservas Santa Catarina para evitar o desemprego de mais de
uma centena de trabalhadores, mas a unidade continuou a enfrentar
dificuldades.O atual Governo dos Açores
revelou em fevereiro que vai assumir a dívida bancária da conserveira
Santa Catarina, num valor superior a 6,6 milhões de euros, segundo um
despacho publicado em Jornal Oficial.