Nova estratégia de combate ao terrorismo tem como prioridade sinalização de doentes mentais
3 de mai. de 2023, 19:42
— Lusa/AO Online
A revisão da Estratégia
Nacional de Combate ao Terrorismo (ENCT), que atualiza o documento
adotado em 2015, “decorre da necessidade de garantir uma resposta
adequada aos constantes desafios da ameaça terrorista que emergem de uma
nova realidade de risco para a segurança dos cidadãos e da democracia”,
refere a resolução do Conselho de Ministros.O
Governo justifica uma atualização desta estratégia com “a
intensificação da radicalização ideológica, do recrudescimento do
extremismo violento e da atividade terrorista”.A
nova ENCT “está organizada em torno de quatro eixos estratégicos -
prevenir, proteger, perseguir e responder - cuja materialização assenta
na contínua implementação dos diversos planos de ação em vigor, bem como
na definição de outras medidas concretas”, refere a resolução,
precisando que os objetivos “não são estanques nem autónomos” e devem
ser revistos e atualizados.Entre as
prioridades, a nova ENCT salienta que é necessário “melhorar a
articulação de procedimentos entre entidades competentes, para a
sinalização, encaminhamento e acompanhamento céleres de indivíduos que
indiciem perturbações no quadro da saúde mental, em risco de praticarem
atos que configurem infrações terroristas”.A
estratégia quer também “reforçar os procedimentos de recolha de prova,
inclusive em zonas de conflito e no ciberespaço, promovendo as
necessárias alterações legislativas a nível do processo penal e da
legislação avulsa conexa” e “garantir os meios apropriados para
perseguir a utilização do ciberespaço para apoiar e financiar o
terrorismo e promover o recrutamento, radicalização e disseminação de
propaganda violenta”.Segundo o documento
publicado em Diário da República, o objetivo geral da ENCT “é
neutralizar a ameaça que o terrorismo e os extremismos violentos
representam para os cidadãos e os interesses nacionais, reduzindo as
vulnerabilidades, através da implementação e do reforço de mecanismos de
prevenção e de combate ao fenómeno em todas as suas vertentes e
manifestações, cujas motivações podem ser de natureza política,
filosófica, ideológica, racial, étnica, religiosa ou outra”.“Embora
não esteja na primeira linha da ameaça terrorista, Portugal enfrenta
riscos muito semelhantes aos de outros países europeus, designadamente
no que se refere aos processos de radicalização e de recrutamento para a
violência terrorista”, refere a resolução do Conselho de Ministros,
realçando que “a doutrinação de jovens é um dos focos dos grupos
terroristas, uma vez que as camadas mais jovens da população constituem a
reserva geracional que irá assegurar a sua subsistência no tempo”.No
domínio do terrorismo islamita, a ENCT alerta para a possibilidade de
Portugal “servir de plataforma de trânsito, de apoio logístico e
financeiro e de doutrinação e recrutamento de simpatizantes”, sendo
igualmente “pertinente considerar a ameaça representada pela integração
dos chamados combatentes terroristas estrangeiros, regressados das
fileiras do autodenominado Estado Islâmico nas regiões de conflito onde
se manifesta, designadamente da Síria e do Iraque, tendo em mente que
estes indivíduos constituem uma das principais ameaças à segurança
europeia”.A nova estratégia destaca também
o crescimento de “ideários extremistas violentos politicamente
motivados e movimentos conspirativos, com ramificações internacionais,
de índole variada, o qual tem contribuído para um aumento do risco de
aceleração de processos de radicalização para a violência, sobretudo
individuais, mas também coletivos”. “Ainda
que, atualmente, a sua expressão seja reduzida em Portugal, persiste o
risco de que a ameaça terrorista representada por estes fenómenos sofra
um agravamento significativo, em consequência da exposição acentuada à
propaganda extremista, a teorias da conspiração e aos conteúdos
desinformativos que proliferam ‘online’ por um lado, e da intensificação
dos contactos internacionais entre extremistas, por outro”, refere o
documento.Da responsabilidade do
Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna, a ENCT vai ser revista
de cinco em cinco anos, “sem prejuízo de revisões extraordinárias,
sempre que as circunstâncias o exijam, tendo em vista a sua adequação à
constante evolução da ameaça terrorista e aos desafios daí decorrentes”.A
execução da ENCT vai ainda ser sujeita a uma avaliação anual feita pela
Unidade de Coordenação Antiterrorismo (UCAT), entidade coordenada pelo
Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna.