Nova equipa da Santa Casa de Lisboa encontrou irregularidades na gestão de Ana Jorge
10 de jul. de 2024, 11:44
— Lusa/AO Online
Em
audição no parlamento, a ministra disse que a devido tempo será dado
conhecimento do levantamento que está a ser feito pela nova equipa de
gestão liderada pelo novo provedor, Paulo Duarte de Sousa, mas que já
teve conhecimento de irregularidades detetadas. “Esta
equipa já encontrou alguma coisa que não sabíamos que existia. Várias
irregularidades no processo de alienação do Hospital da Cruz Vermelha,
na resposta a entidades interessadas”, disse a governante aos deputados.Afirmou
ainda que há atrasos em processos de aquisição, caso da aquisição de
refeições, que foram detetados pisos em edifícios hospitalares que não
funcionam e um edifício em Monsanto concluído há mais de dois anos com
capacidade para 60 camas “totalmente desocupado”. Falou ainda da falta
de um plano estratégico para a área dos jogos e imóveis que não geram
qualquer rendimento.“Esta foi a situação
que foi encontrada e que já nos foi relatada e diz bastante da gestão no
período da provedora Ana Jorge”, afirmou Maria do Rosário Palma
Ramalho.Ainda sobre a saída de Ana Jorge, a ministra recusou ter feito um saneamento.“Saneamentos
e exonerações políticas não fiz nenhuma. Não há saneamento político, há
exoneração por razões financeiras e de gestão”, afirmou, considerando
que os novos elementos a que já teve acesso confirmam que teve razão
nessa decisão.Na próxima semana, disse a
ministra, a nova equipa de gestão da Santa Casa da Misericórdia de
Lisboa irá apresentar-lhe o plano de reestruturação.A
administração da SCML foi exonerada a 29 de abril, tendo a ministra
Maria do Rosário Ramalho justificado a decisão de afastar Ana Jorge e a
sua equipa por uma “total inação” face à situação financeira na
instituição e por não ter um plano de reestruturação para a inverter,
tendo ainda acusado a Mesa destituída de se ter beneficiado a si própria
com aumentos salariais.Em maio, tomou
posse como novo provedor da Santa Casa Paulo Duarte Sousa, nomeado pela
ministra Rosário Palma Ramalho, sucedendo a Ana Jorge no cargo.A
mudança na gestão da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa aconteceu num
momento de grande turbulência e instabilidade na instituição, com a
provedora Ana Jorge exonerada antes de completar um ano à frente do
organismo, acusada pelo atual governo de “atuações gravemente
negligentes” que afetaram a gestão da Santa Casa. Ana Jorge disse que se
sentiu maltratada e negou acusações de “benefício próprio”.Escolhida
pelo anterior governo (PS), Ana Jorge herdou uma instituição com graves
dificuldades financeiras, depois dos anos de pandemia e de um processo
de internacionalização dos jogos sociais, levado a cabo pela
administração do provedor Edmundo Martinho, que poderá ter causado
prejuízos na ordem dos 50 milhões de euros.