Nova administração chega “no melhor momento” ao BdP
29 de nov. de 2022, 16:45
— Lusa/AO Online
“Este conselho chega no
melhor momento. Um momento do desafio do combate à inflação, que hoje
volta a estar nos holofotes dos decisores. A independência dos bancos
centrais, consagrada formalmente ao longo das últimas décadas, é vista
como a chave para o sucesso no controlo da inflação”, apontou Centeno na
cerimónia de apresentação dos novos membros do Conselho de
Administração do Banco de Portugal (BdP), em Lisboa.Na
semana passada, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, as
nomeações de Luís Máximo dos Santos (reconduzido) e de Clara Raposo para
os cargos de vice-governadores, e de Francisca Oliveira, Helena Adegas e
Rui Pinto para administradores do banco central português.Centeno
elogiou o que considerou ser “o mais qualificado conselho de
administração do Banco de Portugal”, e destacou uma “paridade de género,
como nunca existiu no banco”.O governador apontou que a estabilidade financeira resulta de um equilíbrio geral que “necessita de todos”.“Passa
pelas famílias, pelas empresas e pelo Estado. Nenhum regulador, nenhum
supervisor, nenhum Governo consegue esse desiderato isoladamente numa
economia liberal, de mercado e democrática como a nossa”, disse,
remetendo para o que foi feito entre 2015 e 2018.“Se
nesta sala ou no país alguém ainda acreditar que teria sido possível
sem uma forte cooperação institucional, entre 2015 e 2018, ter
capitalizado os maiores bancos nacionais, iniciado a resolução do
crédito malparado, retomado níveis de rentabilidade anteriores às crises
financeiras e da dívida soberana num sinal de exigência nunca antes
visto em Portugal terá de rever urgentemente tudo o que não leu sobre o
sistema financeiro”, vincou Mário Centeno.O
governador deixou um voto de confiança aos novos membros, que acredita
que irão compor um conselho de administração que “exercerá o cargo com
responsabilidade, aberto à sociedade e ao escrutínio público”.De
acordo com o ministro das Finanças, Fernando Medina, para a seleção
destes novos membros do conselho de administração do BdP foi, para o
Governo, “fundamental construir equipas que sejam um exemplo para o
sistema financeiro”Medina considerou que o modelo de supervisão do sistema financeiro “está estabilizado”.“As
evoluções regulatórias e de supervisão dos últimos anos foram testadas e
permitiram-nos enfrentar tanto os efeitos da pandemia, como os da
guerra da Rússia contra a Ucrânia com um sistema financeiro mais
resiliente”, defendeu o governante na cerimónia.Ainda
assim, o ministro considerou que há “duas dimensões, de natureza mais
estrutural”, que pedem uma abordagem proativa: o reforço da coordenação e
dos mecanismos de partilha de informação entre os três reguladores e a
clarificação do valor da supervisão e regulação bancárias junto dos
cidadãos.“Em primeiro lugar, será
fundamental que os três reguladores do sistema financeiro, nomeadamente
no âmbito do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, continuem a
reforçar a coordenação e os mecanismos de partilha de informação entre
as várias áreas da supervisão financeira”, afirmou, defendendo que “só
com uma visão transversal e integrada do funcionamento de todo o
sistema” é possível “acautelar devidamente a sua estabilidade”.Este
é um ponto importante para o ministro das Finanças, que defendeu que
“uma parte não negligenciável dos impactos económicos e financeiros no
país da grande crise financeira podia ter sido mitigada com uma atuação
mais coordenada da supervisão financeira”.Garantindo
que a independência do banco central é salvaguardada e protegida por
instrumentos legais nacionais e europeus, o ministro enumerou três
desafios “importantes”.Para Medina, é
“fundamental” aumentar a eficiência da atividade bancária através de um
enquadramento regulatório simples, ágil e moderno, e de estratégias de
gestão “inovadoras e eficientes” nas entidades supervisionadas.O
governante sublinhou os desafios com o financiamento das transições
climática e digital, e com a emergência de novos modelos de negócio
assentes nas potencialidades tecnológicas.Neste
último ponto, o ministro alertou que as entidades não podem “ceder aos
que se aproveitam da tecnologia para vender ilusões”.JO // EA