"Nos Açores há muito que não se vive uma democracia plena", diz Paulo Estêvão
29 de nov. de 2018, 18:43
— Lusa/AO Online
"Nos
Açores há muito que não se vive uma democracia plena. Nem todos são
livres de dizerem o que pensam. Muitos não pensam o que se sentem
obrigados a dizer", advogou Paulo Estêvão, falando no encerramento da
discussão na generalidade das propostas de Plano e de Orçamento para
2019.Para o
deputado monárquico, a "esperança de vida profissional" é "muito curta
para todos os que se atrevem a discordar" do Governo Regional: "Mais
tarde ou mais cedo, a sombra negra do longo braço do poder regional
chegará, de uma forma ou de outra, às vidas dos que se atreverem a
pensar e a agir como homens e mulheres livres", acusou.O
Plano e Orçamento para 2019 foi apresentado nos últimos dias,
prosseguiu o deputado, "em forma de monólogo pelo governo socialista",
sendo que, criticou, "quase não foi possível fazer perguntas, não foi
possível discordar" das opções do executivo liderado por Vasco Cordeiro."Os
documentos orçamentais socialistas não são deste mundo. São uma
fantasia. Um conto para crianças. Olhei para eles e lembrei-me do
clássico imortal da literatura infantil de L. Frank Baum: 'O Feiticeiro
de Oz'", prosseguiu.Depois,
Paulo Estêvão traçou algumas analogias entre membros do executivo e
personagens da ficção: o secretário da Saúde, Rui Luís, é o Lenhador de
Lata, a quem "falta um coração, mas a verdade é que tem acesso fácil à
tecnologia de reanimação", ao passo que para Leão Cobarde, "corajoso",
Estêvão escolheu o secretário da Agricultura, João Ponte."É
preciso muita coragem para aceitar gerir uma pasta a respeito da qual
não se percebe coisa alguma. O outro candidato óbvio era o atual
presidente da Sata, outro corajoso", prosseguiu o deputado do PPM. E
rematou: "Já descrevi, através da alegoria do 'Feiticeiro de Oz', o que
penso do Plano e do Orçamento para 2019. Não é credível. É uma espécie
de fábula de encantar. As sucessivas execuções de apenas 70% – quando no
tempo de Carlos César atingiam os 95% - mataram a credibilidade da
execução orçamental dos governos liderados por Vasco Cordeiro. É um
orçamento de propaganda, que não resolverá nenhum problema da sociedade
açoriana".Para
a ilha do Corvo, por onde foi eleito, Paulo Estêvão assegura que irá
lutar por ligações aéreas diárias: "Quero, e vou, acabar com mais esta
discriminação sem sentido. Açorianos somos todos", vincou.A
proposta de Orçamento dos Açores para 2019, cujo debate e votação
sucedem até sexta-feira, tem um valor global de 1.604,8 milhões de euros
e pretende ser, diz o executivo regional, um documento de "confiança" e
"previsibilidade" no trajeto económico.Dos mais de 1,6 mil milhões de euros do orçamento, um total de 205,6 milhões de euros diz respeito a operações extraorçamentais."Prevê-se
que as despesas de funcionamento dos serviços e organismos da
administração regional atinjam os 887,5 milhões de euros, sendo
financiadas quase integralmente pelas receitas próprias, que se estimam
em 742,3 milhões de euros, o que corresponde a uma taxa de cobertura de
83,6%", indica a proposta.O
parlamento dos Açores debate e vota esta semana o Orçamento, sendo que o
PS, partido que suporta o Governo Regional, tem maioria absoluta no
hemiciclo.