Nos Açores 10 mil crianças sofrem de obesidade infantil ou excesso de peso

Hoje 09:07 — Daniela Carreiro

No âmbito do Inquérito Nacional de Saúde, o  Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), juntamente com o Instituto Nacional de Estatística, divulgaram os resultados do Módulo das Crianças.Nos Açores, a região do país onde a obesidade infantil tem maior prevalência, a doença afeta quase cinco mil crianças, o que quer dizer que 21,3% das crianças açorianas sofrem de excesso de peso.Através do cálculo do índice corporal das crianças entre os 5 e 14 anos inquiridas, foi também possível apurar que 21% apresenta um índice de massa gorda que as classifica como acima do peso recomendado para a sua altura.A nível nacional, quase 4 em 10 crianças portuguesas na faixa etária entre cinco aos 14 anos, sofrem de excesso de peso ou de obesidade. Mais especificamente, 132 mil crianças são classificadas como obesas (12,9%) e outras 230 mil consideradas acima do peso (22,6%).Apesar dos valores nacionais, é nos Açores que a análise mostra que prevalece o excesso de peso e a obesidade infantil, com um valor conjunto de 42,3%.A seguir à realidade açoriana, segue-se o norte do país (40,5%) e a Região Autónoma da Madeira com, 40,3%.O Açoriano Oriental relembra que estes valores devem-se muitas vezes, ao elevado nível de sedentarismo e um baixo nível de prática de exercício, bem como um padrão alimentar onde a ingestão de alimentos  ultraprocessados e o consumo de refrigerantes predomina.Apesar dos fatores mencionados, o contexto socioeconómico, os hábitos de cada família, assim como fatores psicológicos e emocionais e a componente genética, são todos fatores que contribuem para a prevalência da obesidade infantil na Região Autónoma dos Açores.Quanto ao estado de saúde das crianças açorianas, o inquérito, realizado entre setembro e dezembro do ano passado, revela que nos Açores, 92,4% dos inquiridos, com menos de 15 anos, apresentam um estado de saúde classificado como bom ou muito bom. Por outro lado, 6,6% das crianças  apresentaram um estado de saúde razoável, mau ou muito mau.Outro indicador do Módulo das Crianças que o Inquérito Nacional de Saúde analisou foi a quantidade de crianças cujo estado de saúde impediu a realização de atividades consideradas habituais para a sua idade, devido a doenças ou o seu estado saúde.Em 2025, 5.400 crianças açorianas viram o seu estado de saúde impedi-las de viverem a sua infância como os seus similares.O estado dos dentes e gengivas é outro indicador que o inquérito pondera e que permitiu concluir que 30.726 crianças, ou seja 90% da amostra está entre um estado muito bom ou bom. Todavia, 2.603 crianças ou 7,6% dos menores de 15 anos apresenta um estado dos dentes e gengivas entre o razoável, mau ou muito mau.Este módulo permite ao Serviço Regional de Estatística dos Açores e o Instituto Nacional de Estatística, “aprofundarem o conhecimento sobre o estado de saúde infantil, contribuindo para uma caracterização mais abrangente e atualizada desta população”.Através de entrevistas presenciais, por telefone e, por via digital, de setembro a dezembro de 2025, o SREA e o INE recolheram a informação que possibilitou chegar às conclusões divulgadas.Os dois organismos produtores de estatística explicam ainda que a recolha de informação sobre o estado de saúde e hábitos alimentares foi realizada junto do detentor da responsabilidade parental do menor em questão.