"Normas policiais violadas na detenção fatal de George Floyd"
6 de abr. de 2021, 11:14
— Lusa/AO Online
Testemunhando em mais uma
sessão do julgamento de Chauvin, o chefe da Polícia, Medaria Arradondo,
afirmou que pressionar o pescoço do detido com o joelho depois de este
estar algemado e de borco, como fez o ex-agente, “não é de alguma
maneira, forma ou feitio” parte das normas ou treino policial.“Certamente
que não é parte da nossa ética e valores”, adiantou Arradondo, que na
sequência da morte de Floyd em Maio de 2020 demitiu Chauvin e os outros
três agentes que o acompanhavam. Arradondo,
o primeiro afro-americano a dirigir a polícia de Minneapolis, defendeu
no passado que o caso de Floyd é de “homicídio”.As
imagens da detenção de Floyd, com Chauvin a pressionar o pescoço por
mais de nove minutos, apesar de o detido gritar “não consigo respirar”,
causaram motins em todos os Estados Unidos no verão passado, com a
vítima a tornar-se símbolo da violência policial contra os
afro-americanos. A defesa de Chauvin
baseia-se no argumento de que seguiu o protocolo de detenção e que a
causa da morte de Floyd foi o consumo de drogas associado a outros
problemas de saúde.No início
da segunda semana do julgamento, os jurados ouviram o testemunho do
médico que declarou o óbito de Floyd, Bradford Langenfeld, que disse não
ter tido conhecimento de quaisquer esforços para reanimar a vítima
antes da intervenção dos paramédicos.Baseado
nas informações disponíveis, disse, “o mais provável” é que a paragem
cardíaca de Floyd tenha sido causada por “asfixia ou falta de oxigénio”.Questionado
por Eric Nelson, advogado de Chauvin, se drogas como fentanyl ou
metanfetaminas - ambas detetadas na vítima através de autópsia - podem
causar falta de oxigénio, o médico reconheceu que sim. O
médico legista do condado classificou a causa da morte de Floyd como
homicídio, relacionando-a com compressão nas vias respiratórias, e
classificou o consumo de drogas como “outras condições significativas”.Na
sexta-feira, o agente mais experiente da Polícia de Minneapolis,
Richard Zimmerman, considerou em tribunal "absolutamente desnecessária e
injustificada" a "força mortal" usada contra Floyd."Colocá-lo
de bruços com um joelho no pescoço por tanto tempo foi simplesmente
injustificado, absolutamente desnecessário", afirmou Zimmerman,
acentuando que "ajoelhar sobre o pescoço de alguém pode matar", é uma
"força mortal".É esperado um veredicto no fim de abril ou no início de maio.Os
outros três polícias implicados, Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou
Thao, serão julgados em agosto acusados de cumplicidade no homicídio.