“No futebol não pode haver espaço nem tolerância para o assédio”
12 de out. de 2022, 11:46
— Lusa/AO Online
“Tanto a
FPF como eu, mulher, mãe e figura de uma modalidade, iremos sempre
defender e proteger a atleta em todas as ocasiões, muito mais se o
contexto for de abuso. No futebol não pode haver espaço nem tolerância
para o assédio”, afirmou, em entrevista à Lusa.O
assunto voltou à ordem do dia após várias futebolistas que alinharam no
Rio Ave em 2020/21 terem denunciado, numa notícia publicada no final de
setembro pelo jornal Público, ações de assédio sexual do então técnico
do clube de Vila do Conde Miguel Afonso, que atualmente era treinador do
Famalicão, tendo também o diretor desportivo Samuel Costa sido alvo de
um processo disciplinar.A dirigente
federativa, que ocupa esta posição à frente do futebol feminino há uma
década, depois de deixar de ser selecionadora, lembra-se de “algumas
vítimas” que “só muito mais tarde tiveram coragem para desabafar”.O
medo e falta de informação, comentou, são limitadores de uma ação das
vítimas, mas hoje em dia, referiu, “é mais fácil denunciar, graças às
plataformas existentes”, entre elas um canal dedicado da FPF.“O
medo começa a desvanecer-se lentamente e entra a ação. (...) É
fundamental o suporte e o apoio permanente a todas as vítimas ou
denunciantes. É uma plataforma que respeita o anonimato, protegendo quem
denuncia e garantindo a segurança do mesmo”, explicou.Ainda
assim, alertou, “uma plataforma não chega”, incentivando todos os
clubes e federações, mais “escolas, faculdades e outras entidades
públicas” a terem mecanismos próprios de denúncia.Assim,
e ao contrário do que temem outras figuras do desporto nacional, quanto
ao abandono jovem por receio deste tipo de casos, seja por vontade
própria ou dos pais, é da opinião de que até pode acontecer “pelo
contrário”.“Este movimento mostra que já
não há medo e que o mesmo já não vai mais prejudicar quem gosta de jogar
de futebol. Todos os agentes desportivos e as suas entidades estão cada
vez mais sensibilizados para este tipo de problema”, notou.Enfrentar
este fenómeno “tem de começar dentro de casa, com uma comunicação
fácil, frontal e aberta por parte de familiares com os filhos”,
preparando-os, deixando o apelo para que treinadores, dirigentes,
professores e pais possam ter este diálogo e estejam “sempre atentos aos
sinais”.“Especialmente mudanças
comportamentais, alterações no rendimento escolar, alterações emocionais
e eventuais situações de isolamento”, lembrou.