'Ninguém reconstruirá Gaza se se governar como no passado'
Médio Oriente
12 de jun. de 2025, 17:31
— Lusa/AO Online
Foi a resposta
dada pelo responsável quando inquirido, numa conferência de imprensa
com órgãos de comunicação estrangeiros, sobre a possibilidade de o
movimento islamita palestiniano Hamas, no poder na Faixa de Gaza desde
2007, fazer parte de um futuro Governo daquele enclave palestiniano.Recém-nomeado
primeiro-ministro – um cargo novo criado pela Autoridade Palestiniana –
pelo presidente, Mahmud Abbas, Mohamed Mustafá declarou, na sede do seu
gabinete, em Ramallah, que, embora “tudo dependa do próprio Hamas”, não
de pode voltar a como era antes.As suas
palavras surgem depois de Abbas ter afirmado, numa carta aos
copresidentes da conferência de Nova Iorque sobre o Médio Oriente, que
se realizará na próxima semana, que o Hamas deveria depor as armas e que
uma força árabe e internacional deveria ser destacada para Gaza com um
mandato das Nações Unidas para garantir um cessar-fogo permanente.“É
extremamente importante para Gaza, mas também para nós, palestinianos
em geral”, disse Mustafa sobre a solução de um único Governo nos dois
territórios palestinianos, acrescentando que “ninguém vai ajudar as
pessoas de Gaza a recuperar as suas vidas, a menos que as coisas lá
sejam resolvidas”.“Não há um projeto
político viável para nós como Estado, reconhecido pelo resto do mundo”,
se não forem observados esses princípios de unidade de Governo nos dois
territórios, que atualmente são governados pela Autoridade Palestiniana,
no caso de partes da Cisjordânia ocupada, e pelo Hamas, no da Faixa de
Gaza.De acordo com o primeiro-ministro, do
partido secular Fatah, já houve “sofrimento suficiente” e “é necessário
avançar”, pelo que defendeu que se siga esse caminho.Mustafa
também se mostrou confiante de que haverá um cessar-fogo em Gaza
“muito, muito rapidamente” e assegurou que o seu Governo está a
trabalhar “muito arduamente” para estar preparado para o dia seguinte na
Faixa de Gaza, palco de uma guerra israelita que já fez 55.000 mortos,
desencadeada contra o Hamas em retaliação pelo ataque do movimento a
Israel, a 07 de outubro de 2023, que fez cerca de 1.200 mortos, na
maioria civis, e 251 reféns.