Ninguém pode chantagear Conselho Europeu e instituições da União
UE/Cimeira
Hoje 12:16
— Lusa/AO Online
“Hoje
não discutimos o que já tínhamos discutido no dezembro, mas os líderes
falaram para condenar claramente a atitude [do primeiro-ministro
húngaro] Viktor Orbán, para recordar que, uma vez que há um acordo, um
acordo é um acordo e que todos os líderes precisam de honrar a sua
palavra. Ninguém pode chantagear o Conselho Europeu, ninguém pode
chantagear as instituições da União Europeia e precisamos de concretizar
isto”, disse António Costa.No
final de uma reunião dos chefes de Governo e de Estado da UE que durou
mais de 12 horas, em Bruxelas, o líder desta instituição comunitária
saudou “os esforços e o compromisso da Ucrânia em reparar o gasoduto
Druzhba destruído pela Rússia”, concretamente o “compromisso público do
Presidente [ucraniano, Volodymyr] Zelensky em reparar, nas próximas seis
semanas, o oleoduto”.“A Comissão Europeia
ofereceu apoio técnico e financeiro à Ucrânia para garantir que o
gasoduto Druzhba seja reparado”, acrescentou.Porém,
de acordo com António Costa, “não se age de boa-fé quando se coloca uma
condição que nem a União Europeia nem os seus Estados-membros podem
garantir porque só a Rússia é que decide se volta a tentar destruir o
gasoduto ou se evita voltar a destruí-lo”.“A
Rússia atacou 23 vezes o gasoduto Druzhba. Pela 23.ª vez, a Ucrânia
voltará a repará-lo e, claro, isto não é responsabilidade da Ucrânia,
não é responsabilidade da União Europeia, não é responsabilidade da
Comissão, do Conselho Europeu ou de qualquer Estado-membro”, elencou.António
Costa reforçou ainda ser “completamente inaceitável o que Orbán está a
fazer”, adiantando “que este comportamento não pode ser aceite pelos
líderes”.Os chefes de Estado e de Governo
da União Europeia discutiram hoje durante cerca de 90 minutos o
empréstimo de 90 mil milhões à Ucrânia, mas o primeiro-ministro húngaro
recusou levantar o bloqueio, mantendo-se o impasse.Fontes
europeias indicaram que, na reunião do Conselho Europeu, Orbán voltou a
insistir que, enquanto o país não receber petróleo, também não irá
aprovar fundos para a Ucrânia.A Hungria
tem estado a bloquear um empréstimo de 90 mil milhões de euros à
Ucrânia, aprovado no Conselho Europeu de dezembro, por acusar Kiev de
estar a bloquear propositadamente a transferência de petróleo para o seu
país através do oleoduto de Druzhba.Não
se esperavam avanços nesta cimeira europeia quanto ao empréstimo já que,
segundo fontes europeias, Viktor Orbán manteve o seu veto tendo em
vista as eleições legislativas húngaras de 12 de abril, nas quais surge
em segundo lugar em diversas sondagens.