"Ninguém em Bruxelas quer roubar o resultado do referendo"
Brexit
27 de mar. de 2019, 13:21
— Lusa/AO Online
Barnier,
que se dirigia em particular ao eurodeputado britânico Nigel Farage, um
dos principais rostos da campanha pela saída do Reino Unido, assegurou
que a UE sempre respeitou “a decisão soberana de uma maioria dos
cidadãos britânicos” no referendo de junho de 2016 que ditou o ‘Brexit’,
“embora a lamente”.“Há dois anos que
trabalho com o mesmo respeito pelo Reino Unido. Tenho admiração pelo
vosso país, pela sua história, pela sua cultura, por uma série de homens
e mulheres que dirigiram o país ao longo da história, sem nunca
esquecer a vossa a solidariedade connosco nas horas mais sombrias do
século XX. E, nessa lógica de respeito, respeitamos a decisão soberana
de uma maioria dos cidadãos britânicos, mesmo que a lamentemos. Senhor
Farage, ninguém em Bruxelas quer roubar o ‘Brexit’ e destronar o voto do
povo britânico”, declarou Barnier. Intervindo
num debate sobre o Conselho Europeu da semana passada – no qual a União
Europeia discutiu o pedido de extensão do Artigo 50 apresentado por
Londres -, Barnier, em resposta à intervenção de um deputado do grupo
eurocético dos Conservadores e Reformistas, rejeitou também que alguma
vez a UE tenha pretendido castigar ou humilhar o Reino Unido ao longo
das negociações. “Em nenhum momento ao
longo destes dois últimos anos, em nenhum segundo, houve na nossa
atitude e na minha atitude o mínimo traço de vontade de humilhação ou de
vingança sobre o Reino Unido, pelo contrário”, assegurou.Relativamente
à “dupla decisão” tomada pelo Conselho Europeu na passada quinta-feira –
de oferecer a Londres uma extensão do Artigo 50 até 22 de maio, se o
Acordo de Saída for aprovado esta semana na Câmara dos Comuns, ou 12 de
abril, se for chumbado -, o negociador-chefe da UE apontou que o
objetivo foi “precisamente dar a possibilidade ao Reino Unido de assumir
as suas responsabilidades, escolher o seu futuro, e assumir finalmente
as consequências das decisões que toma”.O
negociador-chefe da UE concluiu que, “de uma forma ou outra”, é
importante terminar este processo “o mais rapidamente possível”, até
porque, disse - e citou a eurodeputada socialista portuguesa Maria João
Rodrigues, que interviera pouco antes -, “há tanto a fazer além do
‘Brexit’”.O debate de hoje na assembleia
europeia teve lugar algumas horas antes de os deputados britânicos
debaterem e votarem possíveis caminhos alternativos ao Acordo de Saída
negociado com a UE pelo governo da primeira-ministra conservadora,
Theresa May, e chumbado duas vezes pela Câmara dos Comuns.