Newtour/MS Aviation considera "inaceitável" posição sindical sobre processo de privatização da Azores Airlines
12 de set. de 2025, 12:29
— Lusa/AO Online
Num
comunicado enviado à agência Lusa, o consórcio afirma ter sido
surpreendido pelo comunicado do SPAC que, “além de ferir a confiança
necessária a um processo que se quer sério e sereno”, difunde “um
conjunto de falsidades" que "comprometam o futuro da SATA e a reputação
empresarial dos envolvidos".A 09 de
dezembro de 2024, o presidente do Governo Regional dos Açores, José
Manuel Bolieiro, confirmou que a SATA e o consórcio Newtour/MS Aviation
estavam a negociar a privatização da Azores Airlines e adiantou que a
região iria assumir a dívida da companhia aérea.O
consórcio recorda que, desde o início, assumiu que o diálogo com os
trabalhadores e com os seus representantes sindicais seria um dos
fatores importantes e reforça que tem procurado manter o diálogo
regular, tendo enviado ao sindicato, a 13 de maio deste ano, um pedido
de reunião, que permitiu que "as partes se sentassem à mesma mesa, pela
primeira vez, 10 dias depois"."Nos meses
que se seguiram realizaram-se seis reuniões entre os delegados sindicais
da companhia e o Agrupamento, ora representado por quem tem competência
legal, ora pelos próprios empresários", é referido ainda.A 03 de julho “entrou na caixa de correio eletrónico do SPAC um email que
mostra bem a maturidade do diálogo entre as partes. Nele, o Agrupamento
assumiu a necessidade de otimizar os custos de operação por forma a
poder garantir o sucesso da operação" da Azores Airlines no dia seguinte
à privatização. E acrescentou que, admitindo-se a possibilidade de
alterar regras constantes do acordo de empresa, foi referido pela
comissão de empresa que a discussão deveria continuar com a direção do
SPAC”.Para o consórcio, esse "espírito
construtivo vinha alimentando em todos um otimismo responsável, que
culminaria com a apresentação, nas próximas semanas, de uma proposta de
valor para a aquisição da companhia" e garante que "tem tudo devidamente
documentado", pelo que estranha a posição assumida publicamente pela
direção do SPAC, "em claro contraste com o espírito das conversações em
curso"."O SPAC não pode – porque é
manifestamente falso – alegar que não recebeu qualquer proposta formal.
Coisa diferente é dizer que não tinha mandato da Assembleia de Empresa
para se comprometer em nome dos pilotos, mas esse é um tema da vida
interna da organização no qual o Agrupamento não se vai imiscuir",
considera ainda.O consórcio reitera a
disponibilidade para discutir a proposta que entregou ao sindicato,
defendendo que a mesma deve ser analisada com "honestidade" e espera que
seja convocada, muito em breve, uma assembleia-geral onde os pilotos
tomem uma decisão sobre o seu futuro e o da SATA."A
situação da SATA é critica e está a degradar-se a cada dia que passa.
Qualquer projeto que tenha o genuíno propósito de garantir a viabilidade
da companhia aérea só se concretizará com o envolvimento e com o
compromisso dos trabalhadores", alerta.Na
quinta-feira, o SPAC disse que os pilotos não vão aceitar ser
responsabilizados por um eventual insucesso da privatização da companhia
aérea Azores Airlines, por não aceitarem cortes salariais de 10%.“Os
pilotos não bloqueiam a privatização. Exigimos propostas formais,
verificação de idoneidades e respeito pelo Acordo de Empresa. Sem
mandato da assembleia [de empresa] e sem garantias claras – prazo e
benefícios quantificados, aplicáveis a toda a empresa – não há
negociação”, afirmou o vice-presidente do SPAC, Frederico Saraiva de
Almeida, citado em comunicado.O sindicato
assegurou que até ao momento não recebeu qualquer proposta “formalmente
enquadrada, subscrita por contraparte com competência legal e
acompanhada de plano de negócios”, sobre o processo de privatização da
Azores Airlines, acrescentando que “jamais negociará sem mandato
expresso dos seus associados, a conferir em assembleia de empresa”.O
sindicato revelou que “o consórcio remeteu unilateralmente um documento
visando reduzir a massa salarial dos pilotos em cerca de 10%”, ao qual
“não respondeu, por inexistência de mandato e falta dos requisitos
mínimos para apreciação séria”.Na
terça-feira, o secretário regional das Finanças, Planeamento e
Administração Pública, Duarte Freitas, disse que o processo de
privatização estava em “finalização”.Em
junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa
para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de
euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).