Neurocientista norte-americana do Centro Champalimaud recebe bolsa europeia de dois milhões euros
10 de dez. de 2019, 11:39
— Lusa/AO Online
O anúncio foi feito hoje em comunicado pela Fundação Champalimaud.A
investigadora, a trabalhar desde 2010 no Centro Champalimaud, onde
lidera o Laboratório de Circuitos Neuronais e Comportamento, já tinha
recebido, em 2014, uma bolsa do Conselho Europeu de Investigação, no
valor de 1,5 milhões de euros.Com esta
verba, a sua equipa desenvolveu um 'software' que lhe permitiu
identificar, em ratinhos, as "contribuições específicas de uma parte do
cérebro - o cerebelo - para a coordenação da caminhada".Agora,
com a nova bolsa atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação,
instância da Comissão Europeia direcionada para a ciência, Megan Carey
"planeia comprar novos equipamentos e contratar investigadores, que se
dedicarão a desvendar os circuitos neuronais responsáveis pela
aprendizagem de novos padrões de caminhada"."A
equipa espera determinar como os componentes espaciais e temporais do
controlo motor são codificados e comunicados através de circuitos
neuronais no cérebro", refere o comunicado da Fundação Champalimaud, ao
qual pertence o centro de investigação onde trabalha a neurocientista
norte-americana, acrescentando que a linha de estudo, que tem a duração
de cinco anos, vai incluir "análise quantitativa do comportamento" e
análise genética dos circuitos neuronais envolvidos. A
ideia é ver como o cérebro "aprende a coordenar o movimento de todo o
corpo enquanto caminha em ambientes diferentes", explica Megan Carey,
citada no comunicado, salientando que se trata de "um desafio para os
sistemas robóticos mais sofisticados".Em
estudos anteriores, a neurocientista descobriu, em experiências
realizadas com ratinhos, uma relação entre a velocidade da caminhada e a
velocidade da aprendizagem e identificou circuitos neuronais que
"reajustam a posição e a sincronização das patas dos ratinhos quando
colocados em ambientes novos".As
descobertas foram feitas graças a um 'software' que foi criado para
monitorizar e analisar em detalhe a locomoção em roedores, o LocoMouse,
que recolhe e avalia dados sobre as trajetórias neuronais (a atividade
dos neurónios, que são células cerebrais) implicadas nos movimentos
corporais.