Netanyahu pede "unidade interna" contra "ameaça existencial"
18 de abr. de 2024, 18:18
— Lusa
"As
nações desintegram-se primeiro a partir de dentro", afirmou o chefe do
executivo israelita, durante a sua visita à sede da agência de serviços
secretos, Mossad, onde esteve sempre acompanhado pelo diretor, David
Barnea."A divisão interna deve desaparecer
agora porque estamos sob uma ameaça existencial e, perante uma ameaça
existencial, unimos as forças e não as dividimos", disse.Com
vários casos de corrupção contra si, um governo de coligação frágil e
uma oposição que pede a sua saída e eleições antecipadas, Netanyahu
avisou que as nações falham "não por causa de pressões externas" mas
devido à "divisão interna".“Estamos
empenhados em derrotar o eixo terrorista em Gaza, tanto para libertar os
reféns como para repelir a ameaça total que vem do Irão", afirmou
Netanyahu, que, perante estas "enormes tarefas", apelou à "determinação"
e à "unidade".A tensão entre Israel e
Irão agudizou-se nos últimos dias, depois de Teerão ter lançado, entre a
noite de sábado e a madrugada de domingo, um ataque contra Israel, com
recurso a mais de 300 ‘drones’ (aparelhos aéreos não tripulados),
mísseis de cruzeiro e balísticos, a grande maioria intercetados, segundo
o exército israelita.Teerão justificou o
ataque com uma medida de autodefesa, argumentando que a ação militar foi
uma resposta “à agressão do regime sionista" contra as instalações
diplomáticas iranianas em Damasco, na Síria, ocorrida a 01 de abril e
marcada pela morte de sete membros da Guarda Revolucionária e seis
cidadãos sírios.O conflito em curso entre
Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas foi desencadeado pelo
ataque de 07 de outubro de 2023, que provocou a morte de cerca de 1.200
israelitas, a maioria dos quais civis, e levou ao sequestro de cerca de
240 civis, dos quais mais de 100 permanecem como reféns em Gaza.Israel,
que prometeu destruir o movimento islamita palestiniano, tem
bombardeado a Faixa de Gaza, onde, segundo o governo local liderado pelo
Hamas, já foram mortas quase 34.000 pessoas, a maioria das quais eram
também civis.A ofensiva israelita também
tem destruído a maioria das infraestruturas de Gaza e perto de dois
milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas, a quase
totalidade dos 2,3 milhões de habitantes do enclave.A
população da Faixa de Gaza também se confronta com uma crise
humanitária sem precedentes, devido ao colapso dos hospitais, o surto de
epidemias e escassez de água potável, alimentos, medicamentos e
eletricidade.Os israelitas também têm
protestado nas ruas contra o Governo de Netanyahu, quer para reclamar o
regresso dos reféns feitos pelo Hamas, quer para contestar a
obrigatoriedade de judeus ultraortodoxos se alistarem no exército
israelita.