Netanyahu diz que fim da ajuda militar dos EUA reforça parceria

Médio Oriente

Hoje 17:20 — Lusa/AO Online

"A transição de um modelo baseado na ajuda para um modelo de parceria demonstra a força e a sofisticação da nossa relação, bem como a sua capacidade de adaptação e de se manter sólida ao longo do tempo", afirmou o chefe do Governo israelita sobre o anúncio de Washington.A declaração, divulgada pelo seu gabinete na rede social X, constitui a primeira reação pública de Netanyahu ao anúncio feito na terça-feira, dia de eleições intercalares norte-americanas, pelo Presidente dos EUA.Trump anunciou a intenção de interromper a transferência anual de cerca de 3.800 milhões de dólares (aproximadamente 3.300 milhões de euros) em assistência militar a Israel, argumentando que o país já não necessita desse apoio devido à sua prosperidade económica.Netanyahu sublinhou que a assistência militar norte-americana sempre beneficiou de um consenso entre democratas e republicanos nos Estados Unidos.O primeiro-ministro afirmou ainda que Israel utilizou esses recursos tanto para garantir a sua própria defesa como para combater adversários que representam ameaças aos Estados Unidos e ao Ocidente.O anúncio de Trump provocou críticas da oposição israelita, que questionou as consequências da decisão para a segurança nacional e para as relações estratégicas entre os dois países.O líder da oposição, Gadi Eisenkot, acusou Netanyahu de colocar em risco a parceria com Washington e exigiu esclarecimentos sobre as alterações ao modelo de cooperação militar."A relação especial de Israel com os Estados Unidos é uma componente fundamental da sua segurança nacional", escreveu Eisenkot, antigo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelitas, nas redes sociais.O atual memorando de entendimento sobre assistência militar entre os Estados Unidos e Israel foi assinado em 2016 e prevê transferências anuais de 3.800 milhões de dólares entre 2019 e 2028.O acordo, com uma duração de 10 anos, representa um compromisso financeiro global de 38 mil milhões de dólares (cerca de 33 mil milhões de euros), destinado a apoiar as capacidades militares e de defesa de Israel.A decisão anunciada por Trump antecipa, assim, o fim da assistência prevista no memorando, cuja vigência estava inicialmente estabelecida até 2028.