Netanyahu defende preservação de “relação vital” com Washington após acordo EUA-Irão
Médio Oriente
Hoje 17:29
— Lusa/AO Online
“A
luta não terminou e outros desafios nos aguardam. Exigem discernimento,
uma defesa resoluta dos interesses de segurança de Israel e, ao mesmo
tempo, a preservação da nossa relação vital com os nossos amigos
norte-americanos, que estiveram ao nosso lado nesta luta — uma parceria
que valorizamos profundamente”, declarou Netanyahu numa cerimónia,
segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.O
chefe do Governo anunciou que as Forças Armadas de Israel
permanecerão no sul do Líbano, onde ocuparam 10 quilómetros a partir da
fronteira comum.Estas foram as suas primeiras declarações desde a assinatura do acordo entre os Estados Unidos e o Irão. Netanyahu sustentou que Israel deve “manter uma zona de segurança no sul do Líbano”.“E isso exige que não saiamos de lá enquanto as necessidades de segurança de Israel assim o exigirem”, sublinhou.Já anteriormente tinha feito comentários semelhantes sobre a recusa de Israel em retirar do sul do Líbano.O
acordo entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão para pôr fim à guerra no
Médio Oriente, assinado durante a noite de quarta-feira, prevê também o
fim da guerra no Líbano, onde Israel tem atacado não só o grupo xiita
libanês Hezbollah como também civis, mas não é claro o que isso na
prática significa.Israel e o Hezbollah não são partes do acordo.O
Irão insiste que Israel deve retirar as suas tropas da grande faixa do
sul do Líbano que ocupa, mas a redação do acordo provisório não o exige
explicitamente, apenas afirmando garantir a “integridade territorial” do
Líbano.Teme-se que a insistência de
Netanyahu na manutenção dos militares em território libanês, as
declarações do Hezbollah - que se afirmou empenhado em resistir a Israel
– e os combates entre os dois lados, que ainda decorriam na
quarta-feira em aldeias e cidades do sul do Líbano, possam inviabilizar o
acordo.Hoje de manhã, a agência de
notícias estatal libanesa reportou vários ataques de drones israelitas
no sul do país, incluindo um contra uma viatura na cidade de Kfar
Tebnit, que matou uma pessoa e feriu gravemente outra.A
guerra entre Israel e o Hezbollah desalojou mais de um milhão de
pessoas no Líbano e matou quase 3.900, segundo as autoridades libanesas.Cerca
de 30 soldados israelitas e um contratado da defesa foram mortos no sul
do Líbano ou nas suas proximidades, e dois civis foram mortos no norte
de Israel, segundo o gabinete de Netanyahu.