Netanyahu avisa para criação de "regime fascista" em Israel se perder eleições
Médio Oriente
Hoje 17:16
— Lusa/AO Online
"Não desperdicem os vossos
votos. Protejam a direita. Votem no Likud", afirmou Netanyahu numa
mensagem em hebraico nas redes sociais, na qual prevê que o afastamento
do atual executivo levaria a “um regime fascista” em Israel, impedindo a
liberdade de expressão, incluindo o “encerramento da Internet” e do
Canal 14, que lhe é próximo.A generalidade
das sondagens coloca em risco a recondução do Likud e do atual
executivo em coligação com a extrema-direita, embora nenhum bloco
político consiga o controlo do Knesset (parlamento), trazendo incerteza
sobre os resultados e as alianças políticas que serão precisas para uma
maioria.Na sua mensagem, reproduzida pela
imprensa israelita, Benjamin Netanyahu apelou ao eleitorado para "não
desperdiçar" votos em pequenos partidos que podem não alcançar a fasquia
mínima de 3,25% para alcançar representação parlamentar e pôr em causa a
continuidade do seu Governo. "Estas
eleições serão decididas por cada voto. Não desperdicem os vossos votos
em partidos pequenos que podem não atingir o limite necessário, levando a
esquerda ao poder", declarou o chefe do Governo e líder do atual
partido maioritário.O dirigente israelita
observou que os partidos de esquerda obtiveram a vitória nas eleições de
1992 devido às divisões causadas pelo então primeiro-ministro, Yitzhak
Shamir, após as quais o governo seguinte assinou os Acordos de Oslo com a
Autoridade Palestiniana."Pagámos com
milhares de cidadãos assassinados e milhares de vítimas, e ainda hoje
enfrentamos este problema, decorrente daquele problema, em que grupos
dissidentes de partidos de direita se separaram e derrubaram o governo
de direita", afirmou Netanyahu, questionando se "este erro se repetirá".A
mensagem do primeiro-ministro israelita surge na véspera do lançamento
de um novo partido, liderado pelo ex-general Ofer Winter, que poderá
atrair votos da extrema-direita e enfraquecer as forças políticas dos
aliados radicais no Governo.O ativista e
influenciador Yoseph Haddad lançou também um novo partido de direita,
ameaçando desviar votos do Likud e dos seus parceiros de coligação.Estes
novos partidos vão juntar-se a outros criados nas últimas semanas,
lançados por figuras nacionalistas descontentes com o Likud, embora haja
dúvidas se obterão os 3,25% dos votos necessários para terem
representação no Knesset.No entanto, de
acordo com uma sondagem publicada no domingo pela emissora pública
israelita Kan, o partido de Winter poderá ultrapassar aquela barreira,
enquanto o bloco pró-governamental ficaria aquém da atual maioria,
conseguindo apenas 52 dos 120 lugares parlamentares.O
bloco dos partidos de oposição consegue eleger 58 deputados, entre
divergências das principais forças políticas sobre um acordo de maioria
que viabilize um governo. A maioria das
sondagens em Israel coloca o Likud empatado ou logo atrás do seu
principal adversário, o partido centrista Yashar, fundado em 2025 e
presidido pelo antigo chefe das forças armadas Gadi Eisenkot.A
coligação B’Yachad (Juntos), criada este ano pelos antigos
primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, atual líder da
oposição, aparece em terceiro lugar e no quarto figura o Yisrael Beytenu
(Israel é a Nossa Casa), partido nacionalista, de direita e secular,
liderado pelo deputado Avigdor Liberman, mas ambos seguem longe do Likud
e do Yashar.Os Democratas, partido
social-democrata sionista dirigido pelo antigo general Yair Golan, está
colocado no quinto lugar nas sondagens e só depois surgem os partidos
que têm estado próximos de Netanyahu, incluindo os ultraortodoxos e
extrema-direita do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e do
ministro das Finanças, Bezalel Smotrich. Os
partidos árabes podem funcionar como desbloqueador das eleições, com
resultados acima de dez deputados, mas que podem aumentar desde o
anúncio de uma coligação eleitoral formada Hadash, Ta’al e Balad.Netanyahu
confirmou em meados de junho que se iria recandidatar, apesar da queda
do seu apoio desde os ataques de 07 de outubro dos islamitas do Hamas de
2023, que deram início a várias frentes de conflito em curso no Médio
Oriente, e a situação económica em Israel, além dos processos judiciais
que enfrenta por corrupção.