Nelson Oliveira não pensa em recordes, só em "comandar as tropas" na Movistar
Tour
Hoje 10:40
— Ana Marques Gonçalves/Lusa/AO Online
Falar do
corredor de Vilarinho do Bairro (Anadia) é falar de constância, mas
também de dedicação à Movistar, que elegeu pelo quinto ano consecutivo o
português para o seu ‘oito’ na Volta a França, permitindo-lhe ampliar o
seu recorde nacional, mas aspirar igualmente a uma marca para a
história do pelotão mundial. Depois de ter
igualado, no Giro2026, o recorde do polaco Sylwester Szmyd, de 23
grandes Voltas sem desistências, ‘Nelsinho’ pode isolar-se caso complete
esta ‘Grande Boucle’, que arranca no sábado, em Barcelona (Espanha), e
termina a 26 de julho, em Paris. “Não é
coisa que me faça deixar de dormir. Quando fiz a minha primeira grande
Volta [em 2011], nunca pensei ter 23 grandes Voltas terminadas. […]
Espero chegar ao final da corrida e que não tenha nenhum azar no caminho
que me faça abandonar. Não quero pensar nisso agora, quero desfrutar
deste Tour o melhor possível”, afirmou. Aos
37 anos, ‘Nelsinho’ vai alinhar na sua 10.ª Volta a França, igualando o
número de presenças na Vuelta, pouco mais de um mês após de ter
participado no Giro pela quarta vez.À
agência Lusa, garante que a presença no Tour não foi uma surpresa, uma
vez que pediu à Movistar para encadear as duas primeiras ‘grandes’ do
calendário, uma pretensão reforçada porque a equipa “sofreu algumas
baixas ultimamente”. “O meu objetivo, como
costumo sempre dizer, é chegar a Paris são e salvo, mas se puder
disputar uma etapa com os melhores, seria bom. Certamente, terei de
entrar numa fuga e que essa fuga seja decisiva”, antecipou o recordista
português de presenças em grandes Voltas.Salientando
que “hoje em dia entrar numa fuga” não é fácil, o experiente ciclista
de 37 anos, que ganhou uma tirada na Vuelta2015, assumiu que uma vitória
numa das 21 etapas da 113.ª edição seria “sempre bem-vinda”.“Acho
que terei essa oportunidade [de lutar por uma etapa], ou seja, aqui o
meu objetivo está claro, é o que a equipa me pede: é tentar orientar um
bocadinho ou usar a minha experiência para ‘comandar as tropas’, como se
costuma dizer, numa equipa bastante jovem”, antecipou.Pela
primeira vez, Oliveira terá Cian Uijtdebroeks como líder numa grande
Volta, com o corredor luso a realçar que este é o primeiro Tour do belga
de 23 anos. “Não sabemos ao certo como
reagirá a todo este stress. O objetivo é ele ficar nos 10 [primeiros],
acho que o pódio seria sonhar um bocadinho alto, mas não é impossível.
Ele é um sofredor, é um corredor bastante jovem, e estaremos aqui para
ajudá-lo naquilo que for preciso”, pontuou. Aos
restantes, caberá o papel de tentar ser “protagonistas em algumas
etapas”, num pelotão em que “todos os ciclistas treinaram imenso” e
“estão em forma”.Residente em Andorra, o
duas vezes diplomado olímpico acredita que o facto de a ‘Grande Boucle’
arrancar em Barcelona, naquele que é o terceiro ‘Grand Départ’ de
Espanha e o 27.º do estrangeiro, é “mais especial para a equipa” do que
para si.“Isso dá-nos mais pressão para
começar bem este Tour e, certamente, teremos aqui muitos portugueses a
apoiar-nos, porque não estamos muito longe do nosso país”, previu.Desde
2020 que Portugal não tinha apenas um representante na Volta a França –
há seis anos também foi Oliveira o único ciclista nacional presente -,
com aquele que é um dos melhores e mais respeitados gregários do pelotão
internacional a lamentar a falta de companhia. “É
sempre uma responsabilidade representar o nosso país, seja com mais ou
menos [portugueses]. Infelizmente, este ano serei o único. Gostaria que
estivessem aqui outros. Têm qualidade para isso, simplesmente escolheram
outro calendário, junto com as suas equipas. Vou fazer tudo o que
estiver ao meu alcance para levar as cores nacionais bem”, prometeu.