Nelson Évora quer “chegar forte” aos Jogos Olímpicos e lutar pelas medalhas
24 de jan. de 2020, 13:03
— Lusa/AO Online
“Treino todos os
dias e sofro todos os dias na pista, de forma a estar o mais forte
possível. Nunca treinei somente para ser mais um figurante numa grande
competição”, frisou, em declarações à imprensa, numa unidade hoteleira.Os
Jogos Olímpicos deste ano serão os quartos e últimos de Nelson Évora,
que tem como ponto mais alto da carreira o ouro olímpico conquistado em
Pequim2008, mas o luso-cabo-verdiano afirmou que vai encarar a
competição “como se fossem os primeiros Jogos”.“Quero
que seja uma experiência nova, vou completamente focado no meu
trabalho, mas com ambição de viver esta experiência outra vez, como se
nunca a tivesse vivido, e vou competir como se nunca tivesse ganho
nada”, sublinhou.O atleta do Sporting, que
inicia a época no Meeting de Paris, em 02 de fevereiro, expressou que a
preparação “está a correr muito bem” e espera que o continente asiático
volte a ser um talismã, depois de Pequim2008 e do título mundial em
Osaca, no Japão, em 2007, não se mostrando preocupado com as condições
climatéricas que os atletas encontrarão em Tóquio.Com
35 anos, Nelson Évora acredita que não tem “nada a perder”, embora
ambicione “fazer grandes saltos”, que só o conseguirá saindo da zona de
conforto, explicando assim a prestação nos Mundiais de Doha, em 2019,
onde falhou o acesso à final do triplo salto.“Foi
um risco que tomei, bem antes de Doha. Saí da minha zona de conforto e
experimentei coisas completamente diferentes. Não me adaptei a essas
mudanças técnicas, mas, quando acreditamos no trabalho e num projeto,
tem tudo para correr bem. Já passaram alguns meses e já pude retificar
esses detalhes, que levaram à não qualificação no Mundial de Doha”,
disse.Uma dessas mudanças técnicas foi a
forma de abordagem ao salto, que obrigava o atleta “a travar antes de
saltar”, devido ao movimento de braços.“Se
eu travava um pouco antes de saltar, estava a perder centímetros e,
quem quer saltar muito, não pode perder absolutamente nada na tábua de
chamada. Essa fluidez de abordagem ao salto leva a que seja muito mais
difícil para mim fazer um bom salto ou manter-me dentro do espaço
legal”, explicou.Apesar de existirem
‘favoritos’, Nelson Évora avisou que, no triplo salto, “há sempre
surpresas”, assegurando que “tudo está em aberto”, lamentando ainda a
exclusão da disciplina da Liga Diamante, durante este ano.“Tenho
pena que o triplo salto tenha sido afastado da Liga Diamante, tanto
masculino como feminino, como outras provas que estavam a ter muito
sucesso, mas acredito que as disciplinas que foram afastadas do circuito
vão dar a volta por cima e vão conseguir atrair o público”, concluiu.A
Federação Internacional de Atletismo (IAAF) anunciou, em novembro, que
iria excluir parcialmente o triplo salto, os 200 metros, os 3.000 metros
obstáculos e o lançamento do disco, em masculinos e femininos, do
programa da Liga Diamante em 2020, com a intenção de reduzir as sessões a
uma duração de 90 minutos, para efeitos televisivos.