'Negociar solução para conflito só se for sob condições russas'
Ucrânia
3 de ago. de 2022, 15:16
— Lusa/AO Online
“A
Rússia está pronta para uma solução negociada sob as suas condições”,
afirmou Dmitri Peskov, durante a sua conferência de imprensa diária. O
porta-voz do Kremlin respondia a uma pergunta sobre declarações
recentes do antigo chanceler alemão Gerhard Schröder, figura
classificada como próxima do Presidente russo, que afirmou, depois de
uma visita a Moscovo, que a Rússia quer uma “solução negociada” para o
conflito na Ucrânia. “A boa notícia é que o
Kremlin quer uma solução negociada”, disse Schröder, numa entrevista ao
semanário Stern, na qual confirmou ter-se encontrado com o Presidente
russo, Vladimir Putin, em Moscovo, na semana passada.De acordo com Peskov, as condições de Moscovo para o fim da campanha militar no território ucraniano “são bem conhecidas”.“Estas
condições foram acordadas em Istambul pelos negociadores de ambas as
partes”, disse o porta-voz do Kremlin, referindo-se à última reunião,
que decorreu em março, entre representantes russos e ucranianos.“Depois disso, o lado ucraniano já rejeitou o que foi acordado e abandonou as negociações”, acusou o representante.Ainda
questionado sobre se Schröder poderia servir de mediador entre a Rússia
e a Ucrânia para novas negociações, Peskov assegurou que o político
alemão não tinha manifestado tal desejo.Schröder
está a ser duramente criticado pela sua família política, o Partido
Social-Democrata da Alemanha (SPD), por causa dos seus laços, no passado
e na atualidade, com Putin, que o antigo chanceler defende não ter
motivos para quebrar.Devido às pressões
desencadeadas pela guerra na Ucrânia, Schröder anunciou no final de maio
a sua demissão de um lugar no conselho de administração do consórcio
russo Gazprom para o qual foi nomeado e onde deveria tomar posse em
junho. Deixou também a presidência do conselho de administração da
petrolífera russa Rosneft, cargo que ocupava desde 2017.A
ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia
causou já a fuga de quase 17 milhões de pessoas das suas casas – mais de
seis milhões de deslocados internos e mais de 10 milhões para os países
vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica
esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a II Guerra
Mundial (1939-1945).