“Os
canais de comunicação existem, estão bem estabelecidos”, afirmou o
porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pela agência de notícias
France-Presse (AFP).“Os nossos
negociadores têm a possibilidade de comunicar através desses canais,
mas, por enquanto, podemos falar mais de uma pausa”, disse Peskov.As
negociações realizadas este ano em Istambul não permitiram avanços
significativos, exceto um acordo sobre a troca de prisioneiros de
guerra.Peskov disse que a Rússia “mantém a
disposição de continuar o caminho do diálogo pacífico e procurar formas
de resolver a situação”, segundo a agência de notícias espanhola Europa
Press.Insistiu que os resultados das
negociações não podem ser imediatos e afirmou que “não se deve usar
óculos cor-de-rosa” ao analisar a situação no terreno, referiu a agência
de notícias russa TASS.“Não se pode usar óculos cor-de-rosa e esperar que este processo de negociações conduza a resultados imediatos”, afirmou.Peskov
disse que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início
também acreditava ser possível chegar rapidamente a um acordo, mas
depois compreendeu que era necessário mais tempo.“Mas
os obstáculos colocados pelos europeus são um facto. Não é segredo para
ninguém”, disse Peskov, atribuindo aos países europeus a falta de
progressos nas negociações, indicou a agência de notícias espanhola EFE.Moscovo tem acusado os países europeus de contribuírem para que o conflito se arraste com os apoios que dão à Ucrânia.Recentemente,
26 países concordaram em enviar tropas para a Ucrânia como parte das
garantias de segurança pedidas por Kiev aos aliados no caso de um
cessar-fogo.Trump, que assumiu o papel de
mediador entre Moscovo e Kiev, quer a todo o custo obter um rápido fim
da ofensiva ataque russo em grande escala lançada em 2022.Mas as posições das duas partes parecem, por enquanto, irreconciliáveis.A
Rússia exige a desmilitarização e a rendição da Ucrânia, bem como a
cessão das regiões ucranianas cuja anexação reivindicou, embora sem as
controlar totalmente.A Ucrânia considera
estas condições inaceitáveis e exige garantias de segurança dos aliados
ocidentais, por recear um novo ataque da Rússia, mesmo que fosse
alcançado um acordo de paz.A Rússia
invadiu e anexou a Crimeia em 2014 e, desde a invasão de 2022, declarou
como anexadas as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia.Moscovo
e Kiev realizaram este ano três rondas de negociações diretas em
Istambul, em maio, junho e julho, nas quais apenas concordaram com a
troca de prisioneiros de guerra e de corpos de soldados.Quanto ao resto, limitaram-se a apresentar as respetivas posições sobre qual devia ser a fórmula para resolver o conflito.O
Presidente russo, Vladimir Putin, endureceu ainda mais as posições
desde a cimeira de meados de agosto com Trump no Alasca, após a qual
recusou reunir-se com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.Também recusou declarar um cessar-fogo e o envio de tropas ocidentais para a Ucrânia.