Navio vai seguir com tripulantes para Países Baixos após passar por Canárias
Hantavírus
Hoje 17:14
— Lusa/AO Online
O navio cruzeiro, onde
foram registados casos de hantavírus entre passageiros e membros da
tripulação que já não estão a bordo, saiu na quarta-feira de Cabo Verde,
onde esteve de quarentena.Dirige-se agora
para as ilhas espanholas das Canárias, o porto mais próximo que a
Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou ter todas as condições
técnicas para o desembarque e repatriamento em segurança das mais de 140
pessoas de 23 nacionalidades que permanecem no "MV Hondius".O
paquete está com "boa marcha" e poderá chegar antes do previsto (a
noite de sábado para domingo), disse a secretária-geral da proteção
civil espanhola, Virginia Barcones, numa conferência de imprensa em
Madrid.A operação para o desembarque e
repatriamento das pessoas a bordo, inicialmente prevista para começar na
segunda-feira, está a ser preparada para ser o mais rápida possível e
para a eventualidade de a chegada do barco à ilha de Tenerife se
adiantar, acrescentou.Virigina Barcones
precisou que o navio vai fundear dentro do porto de Granadilla e que as
pessoas serão retiradas em lanchas e depois transportadas para o
aeroporto de Tenerife Sul em autocarros, em meios disponibilizados pelo
armador, uma empresa dos Países Baixos.Inicialmente,
o objetivo era desembarcar em Tenerife e repatriar a partir desta ilha
todos as pessoas que estão no barco, mas deverão, afinal, manter-se no
paquete pelo menos 30 tripulantes, que prosseguirão de imediato viagem
para levar o "MV Hondius" até aos Países Baixos, disse a diretora da
proteção civil espanhola.Segundo Virgina
Barcones, esta é a pretensão de Espanha, a que o armador deu resposta
positiva, estando a ser ultimadas questões logísticas, como o
reabastecimento do navio, para que o "MV Hondius" siga viagem de
imediato.Vários países, como Estados
Unidos, Reino Unido, França ou Alemanha, informaram já que enviarão
aviões a Tenerife para repatriar os respetivos cidadãos que estão no
cruzeiro.Dentro do mecanismo europeu de
proteção civil foram também já disponibilizados meios aéreos de vários
países para o transporte para os locais de residência de passageiros e
tripulantes, segundo Virginia Barcones.Os
Países Baixos assumirão a responsabilidade de repatriar todos os casos
que não tiverem resposta com aviões nacionais ou do mecanismo europeu.O
secretário de Estado da Saúde de Espanha, Javier Padilla, presente na
mesma conferência de imprensa, disse que as informações regulares que
chegam do interior do navio, em que viajam médicos da OMS e do Centro
Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) é de que todos
as pessoas continuam sem sintomas de doença.Ainda
assim, Espanha solicitou ao mecanismo europeu de proteção civil a
mobilização de aviões ambulância para a eventualidade de à chegada às
Canárias haver pessoas com sintomas que precisem de ser transportadas de
forma isolada.A ministra da Saúde
espanhola, Mónica Garcia, sublinhou, numa entrevista à rádio
pública RNE, que só ficarão em Tenerife pessoas com necessidade de
atenção médica urgente, o que neste momento parece ser muito pouco
provável.O Governo espanhol revelou, por
outro lado, que está a ser analisado em Espanha o caso de uma mulher que
estava num avião que saiu de Joanesburgo no final de abril e em que
embarcou brevemente uma passageira do "MV Hondius" que, como o marido,
foram infetados com hantavírus e acabaram por morrer.A
mulher tem "sintomas compatíveis" com o hantavírus, sobretudo tosse, e
está internada, numa zona isolada, num hospital de Alicante, à espera de
resultados dos testes médicos que foi sujeita, disse Javier Padilla.