Navio investigou mais de 90 mil quilómetros quadrados do fundo do mar dos Açores
20 de out. de 2017, 14:49
— LUSA/AO online
“A área coberta pelos
levantamentos deste ano foi superior a 90.000 quilómetros quadrados.
Mas, muito mais há a fazer. Para já foi possível mapear com muito mais
resolução e mais rigor áreas consideráveis, em concreto a sul de São
Miguel. Depois, obviamente que iremos continuar este trabalho por outras
áreas”, afirmou o diretor-geral do Instituto Hidrográfico, o
contra-almirante António Coelho Cândido.O responsável falava, em
declarações aos jornalistas, em Ponta Delgada, na Universidade dos
Açores, à margem da apresentação dos trabalhos realizados pelo D. Carlos
I no mar dos Açores, no âmbito do projeto de mapeamento do mar
português.Durante a investigação, o navio usou um sistema moderno
de sondador multifeixe de grandes fundos, para a aquisição de dados de
profundidade, tendo sido efetuados levantamentos hidrográficos ao largo
dos grupos central (Pico, Faial, Graciosa, São Jorge e Terceira) e
oriental (Santa Maria e São Miguel), incluindo ainda zonas costeiras,
nomeadamente ao largo do ilhéu das Formigas e Mosteiros, assim como
levantamentos multifeixe e topográfico do porto da Praia da Vitória, na
ilha Terceira.O diretor-geral do Instituto Hidrográfico disse
que, apesar da vasta área coberta pelos levantamentos desta missão, no
caso dos Açores, há ainda muita área para investigar, acrescentando que
serão necessários cerca de 10 anos com um navio para mapear toda a zona
do arquipélago.“Tivemos um empenhamento grande este ano nos
Açores com a presença de um navio hidrográfico, em colaboração com as
estruturas regionais, o que permitiu otimizar o tempo de permanência” da
embarcação na região, salientou, destacando a parceria com a
Universidade dos Açores nesta missão, já que o navio D.Carlos I recebeu
também uma equipa de alunos e investigadores da academia açoriana que
acompanharam e realizaram trabalhos de apoio à comunidade científica.Adiantou
que o planeamento deste projeto para 2018 prevê ter dois navios
hidrográficos, o D.Carlos I e o Almirante Gago Coutinho, durante seis
meses, entre maio e outubro, em períodos alternados no arquipélago.O
responsável realçou que, para “este grande projeto de mapeamento do mar
português, é fundamental a colaboração entre todas as estruturas e,
neste caso concreto, entre a Marinha através do Instituto Hidrográfico, o
Governo Regional e a Universidade dos Açores”.O secretário
regional do Mar, Ciência e Tecnologia, referiu que, além da utilidade do
levantamento hidrográfico, esteve também em causa algum trabalho em
termos da biodiversidade do mar profundo dos Açores."Temos uma
vasta área por descobrir e, portanto, o potencial de descoberta é muito
grande, nomeadamente ao nível da biodiversidade e dos organismos de
profundidade que eventualmente têm um potencial grande ao nível de
recursos para utilização em biotecnologia", sublinhou Gui Menezes.