Navio humanitário alemão com mais de 800 migrantes atracou num porto italiano
8 de nov. de 2021, 13:12
— Lusa/AO Online
A organização humanitária
Sea-Eye afirmou que o navio “Sea-Eye 4” foi autorizado a atracar no
porto de Trapani, no oeste da ilha de Sicília, na noite de sábado.A
maioria dos adultos ficará em quarentena preventiva devido à pandemia
de Covid-19, enquanto cerca de 160 menores, bebés e outras crianças com
menos de quatro anos vão ser levados para abrigos em terra.Muitos
dos passageiros são provenientes de países da África Ocidental e também
do Egito e Marrocos, disse Giovanna di Benedetto, da organização Save
the Children na Itália.Gritos de alegria
ouviram-se a bordo do “Sea-Eye 4” foram ouvidos na doca de Trapani,
enquanto o navio se aproximava, informou a televisão TV SkyTG24, citada
pela agência noticiosa AP.Cerca de metade
dos migrantes foram resgatados de um barco de madeira que afundou no
passado dia 04 de novembro, enquanto os outros passageiros foram
retirados do mar para um local seguro em operações separadas.Elementos
da “Sea-Eye” lamentaram que Malta não tivesse respondido ao sinal de
socorro do barco de madeira, que se encontrava na área de busca e
salvamento maltesa.Um outro navio
humanitário, o “Ocean Viking”, com 308 migrantes a bordo, ainda
aguarda a atribuição de um porto perto de Lampedusa, uma pequena ilha
italiana no sul da Sicília.A organização
humanitária SOS Mediterranee, que opera o navio “Ocean Viking”, escreveu
na rede social “Twitter” que sua equipa na sexta-feira à noite estava
envolvida na busca por um barco em perigo ao sul da ilha de Lampedusa. A
instituição afirmou que a Guarda Costeira italiana "coordenou o resgate
solicitando a ajuda" do Ocean Viking.Separadamente,
a guarda costeira, num mar agitado, retirou duas pessoas, com quatro
membros da família, do Ocean Viking para tratamento médico, incluindo
queimaduras, afirmou a SOS Mediterranee.No
passado sábado, o navio “Sea-Eye 4” recebeu uma entrega de comida e
cobertores enquanto esperava para saber onde os migrantes poderiam
desembarcar. Os médicos a bordo do “Sea-Eye 4” assistiram 25 pessoas com
hipotermia, enjoos marítimos e pressão alta, além de ferimentos devido a
tortura.As agências de refugiados da ONU
há muito tempo denunciam a prática de tortura em campos de detenção na
Líbia, onde os migrantes vivem, muitas vezes por semanas ou meses, até
que traficantes de seres humanos providenciem a sua passagem a bordo de
barcos frágeis.O número de migrantes que
desafiam a perigosa travessia do Mediterrâneo central aumentou este ano
para mais de 54.000. Ainda assim, os números estão abaixo dos registados
entre 2014 e 2017, quando entre as 120.000 e as 180.000 pessoas
chegaram a Itália, anualmente, muitas vezes em barcos de contrabandistas
frágeis.