Navio-Escola Sagres acolhe campanha de Portugal para Conselho de Segurança da ONU
Hoje 10:37
— Lusa/AO Online
Atracado no Pier 17, junto à
baixa de Manhattan, o Navio-Escola Sagres encontra-se numa missão de
apoio à candidatura de Portugal a membro não permanente do Conselho de
Segurança da ONU, a realizar-se na próxima semana, e foi palco esta
quinta-feira de uma receção que contou com a presença do ministro dos
Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Rangel, e com a atuação da fadista
Carminho.Em declarações à Lusa,
Rangel indicou que a mensagem que procurou transmitir às missões
diplomáticas é que Portugal é um Estado que "constrói pontes com todos
os países do mundo, tem uma presença em todos os continentes e é capaz
de fazer um diálogo de consenso em defesa dos valores da Carta das
Nações Unidas, do multilateralismo e do direito internacional".Segundo
o ministro, Portugal quer levar ao Conselho de Segurança uma visão mais
ampla da segurança internacional, ligando a prevenção e resolução de
conflitos a temas como alterações climáticas, segurança alimentar,
ambiente, energia, saúde e educação, sobretudo nos países em
desenvolvimento, que dependem muito do trabalho das Nações Unidas."Portanto,
é esta ideia de um país totalmente comprometido com as Nações Unidas e
com a sua visão multilateral, sabendo que não é uma
organização perfeita, que muitas vezes está com impasses, mas é de facto
a única instância, a nível mundial, que consegue reunir todos",
afirmou.Portugal concorre ao Conselho de
Segurança - um dos órgãos mais importantes das Nações Unidas, cujo
mandato é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional e
cujas decisões são vinculativas - sob o lema "Prevenção, Parceria,
Proteção".A eleição para membro não permanente para o biénio 2027/2028 está agendada para a próxima quarta-feira.Portugal
tem como adversários diretos a Alemanha e a Áustria, numa disputa pelos
dois lugares de membros não permanentes atribuídos ao grupo da Europa
Ocidental e Outros Estados.Admitindo que
ainda há margem para conquistar votos até ao dia da eleição, Paulo
Rangel garantiu que a diplomacia nacional continuará a trabalhar "até ao
último minuto" para assegurar o apoio dos Estados-membros, num voto que
será secreto.O governante sublinhou ainda
o compromisso histórico de Portugal com as Nações Unidas e defendeu
reformas no Conselho de Segurança, nomeadamente uma representação mais
forte de África.Disse ainda que a política
externa portuguesa é reconhecida pela consistência e capacidade de
diálogo, características que considera diferenciadoras, e prometeu
continuar a ser uma voz a favor da paz, da segurança, da estabilidade
internacional e do desenvolvimento e prosperidade dos países mais
vulneráveis.Questionado sobre a disputa
com a Alemanha e a Áustria pelos dois lugares disponíveis, Rangel
afirmou que existe uma "grande recetividade" à candidatura portuguesa,
embora tenha insistido numa postura de "prudência e humildade"."A
Alemanha e a Áustria são países amigos, são membros da União Europeia
como nós, evidentemente também têm os seus méritos e, portanto, isto é
uma competição saudável. Haverá dois lugares para três e nós estamos
confiantes, mas, como sempre, estamos com grande prudência e humildade",
defendeu.Já sobre a escolha do
Navio-Escola Sagres para o evento de campanha, o MNE explicou que o
navio simboliza a identidade marítima portuguesa, a ligação histórica
aos oceanos e a tradição de encontro entre culturas.Acrescentou
que o navio representa também o compromisso das Forças Armadas
portuguesas com missões internacionais de paz, lembrando que mais de 20
mil militares portugueses participaram em operações das Nações Unidas ao
longo dos 80 anos de história da organização.Já
o capitão-de-fragata José Sousa Luís destacou à Lusa que esta não é a
primeira vez que o Navio-Escola Sagres serve de plataforma de diplomacia
para apoiar a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU
e, à semelhança do que aconteceu no passado, disse esperar que a
embarcação volte a contribuir para esse sucesso.Portugal já foi membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU por três vezes: em 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012.O
Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 membros (cinco
permanentes e 10 não permanentes). Cada membro tem um voto, sendo que os
cinco membros permanentes - China, Estados Unidos, França, Reino Unido e
Rússia - têm também poder de veto.Os membros não permanentes são eleitos para um mandato de dois anos.