NATO vai manter-se forte independentemente do resultado das eleições em França

Hoje 17:45 — Lusa/AO Online

"As eleições em França terão lugar em maio (…) e, mais uma vez, qualquer que seja o resultado, a NATO estará lá, permanecerá unida, permanecerá forte", assegurou Rutte, durante um discurso na conferência dos chefes de missões diplomáticas alemãs, em Berlim, ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul."Tenho plena confiança de que, seja quem for eleito, manterá o rumo em questões fundamentais, como o investimento na defesa e a garantia de que a Ucrânia não perca esta guerra", além de torná-la mais forte antes de eventuais negociações de paz, acrescentou.A hipótese de uma vitória da extrema-direita na eleição presidencial francesa preocupa os aliados da NATO. Muitos temem, entre outras coisas, uma redução do apoio da França à Ucrânia e uma postura mais conciliadora em relação à Rússia.Questionado sobre a ameaça representada pela Rússia, Rutte alertou contra qualquer "ingenuidade" que ainda exista sobre o tema."Não podemos ser ingénuos quanto a isto. Por favor, sei que haverá sempre pessoas a dizer: 'Ah, se apenas se sentassem com Putin, isto ou aquilo (…)'. É uma questão de longo prazo. Existe uma ameaça. Não podemos ser ingénuos", declarou o responsável neerlandês.O responsável da Aliança Atlântica denunciou ainda que a lista de "atividades híbridas maliciosas" da Rússia na Europa "não para de crescer".Rutte sublinhou que as tentativas de sabotagem e outras ações híbridas atribuídas à Rússia em vários países europeus são sinais de "um regime desesperado" que não está a atingir os seus objetivos na Ucrânia, alertando que Moscovo vai falhar na sua tentativa de dividir os aliados e enfraquecer o apoio a Kiev.O responsável da NATO alertou, no entanto, que "não há espaço para a complacência" perante um cenário de segurança que obrigará os aliados a manterem os seus esforços a longo prazo. "Temos um longo caminho pela frente. Precisamos de gastar mais, produzir mais e protegermo-nos melhor", resumiu.Neste contexto, insistiu na necessidade de "manter a Ucrânia forte para que a paz possa prevalecer", ao mesmo tempo que defendeu que o reforço das capacidades europeias beneficia a segurança de toda a Aliança. "Uma Alemanha mais forte torna a Europa mais forte. Uma Europa mais forte torna a NATO mais forte. E a força é um pré-requisito para a segurança", destacou."A diplomacia também faz parte do nosso arsenal. Nestes tempos perigosos, as mensagens que enviamos, as mensagens que todos vocês [os diplomatas na audiência] transmitem, são decisivas. E o que importa ainda mais é o resultado. Uma segurança duradoura", concluiu Rutte, reafirmando o papel da diplomacia.Rutte afirmou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, "tem razão" quanto à necessidade de a Europa investir mais na defesa da Aliança, embora nem todos "gostem" de ouvir isso."Trump tem razão. Nem toda a gente na Europa gosta o diga, mas é verdade que não é sustentável que a Europa gaste muito menos do que os Estados Unidos", disse.O antigo primeiro-ministro dos Países Baixos garantiu que, apesar de Washington ter sinalizado a intenção de reduzir a sua presença militar na Europa, não tem "absolutamente nenhuma dúvida" de que os EUA estão totalmente comprometidos com a NATO e com o artigo 5.º da sua carta, que estabelece a obrigação de assistência em caso de ataque."A segurança não é algo que os EUA devam fazer por nós, mas sim connosco", afirmou.A insistência dos EUA para que todos os parceiros da NATO atinjam um total de 5% em gastos militares tem sido fonte de tensões, nomeadamente com Espanha, que no ano passado ultrapassou, pela primeira vez em duas décadas, a marca dos 2%.