NATO rejeita possibilidade de expulsar Espanha como sugeriram EUA
Irão
Hoje 10:46
— Lusa/AO Online
“O tratado fundador da
NATO [o Tratado de Washington] não contém quaisquer disposições
relativas à suspensão da adesão à NATO, à expulsão ou à participação
limitada” de um Estado-membro, afirmou um porta-voz da organização
militar citado pela agência de notícias Europa Press.A
única forma de um Estado-membro abandonar a Aliança Atlântica é por sua
própria vontade, conforme estipulado no artigo 13.º do Tratado de
Washington, que refere que “qualquer parte pode deixar de ser parte” um
ano após “notificar o Governo dos Estados Unidos da sua retirada”.A
agência de notícias Reuters, que cita uma fonte governamental
norte-americana, noticiou que um e-mail interno do Pentágono
(departamento de Defesa) avança opções para o Governo dos EUA “punirem
os aliados” da NATO que, no entender de Washington, não apoiaram as
operações dos ataques ao Irão iniciados em final de fevereiro.Entre
essas opções estão a suspensão de Espanha da Organização do Tratado do
Atlântico Norte (NATO) e a revisão da posição dos EUA relativamente à
reivindicação britânica sobre as ilhas Malvinas, revelou a mesma fonte à
Reuters.Questionada sobre este e-mail, a
porta-voz do Pentágonos, Kingsley Wilson, citada pela Reuters,
respondeu: "Como afirmou o Presidente [Donald] Trump, apesar de tudo o
que os Estados Unidos fizeram pelos nossos aliados da NATO, estes não
nos apoiaram."O primeiro-ministro
espanhol, Pedro Sánchez, já reagiu, desvalorizando a questão e afirmando
que não recebeu qualquer queixa formal da administração Trump.Sánchez reiterou ainda que Espanha é um “parceiro leal” que cumpre as suas obrigações com a Aliança Atlântica.“Não
trabalhamos com base em e-mails, trabalhamos com base em documentos e
declarações oficiais, neste caso, do Governo dos Estados Unidos. A
posição do Governo espanhol é clara: cooperação absoluta com os aliados,
mas sempre dentro da estrutura do direito internacional”, disse
Sánchez, em declarações à imprensa após a sua chegada a uma cimeira
informal de líderes da União Europeia em Nicósia, capital cipriota.O
primeiro-ministro espanhol tem sido uma das vozes mais críticas da
guerra no Irão, classificando o conflito como “profundamente ilegal” já
que não tem por base uma resolução das Nações Unidas.Espanha,
mas também França e Itália, negaram o uso do seu espaço aéreo e bases
militares para as operações, atitude que o Presidente norte-americano,
Donald Trump, classificou como “pouco colaborativa”.Trump
também exigiu que os países europeus assumissem a responsabilidade pela
segurança e reabertura do estreito de Ormuz, uma rota vital para o
abastecimento energético da Europa que foi bloqueada pelo Irão em março,
mas a maioria dos líderes europeus, incluindo os de Alemanha, França e
Reino Unido, rejeitou enviar quaisquer navios de guerra.O
Presidente norte-americano chegou a ameaçar a retirada dos Estados
Unidos da NATO, caso a Europa não assumisse um papel mais ativo no
conflito e na proteção do estreito de Ormuz.