NATO reafirma apoio a Kiev em reunião de emergência após ataque russo com míssil balístico
Ucrânia
26 de nov. de 2024, 18:12
— Lusa/AO Online
Num comunicado, a NATO
(Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental)
indicou que, no âmbito destas consultas, os aliados afirmaram que o
recurso a estes mísseis “não dissuadirá o apoio a Kiev” e que se trata
de uma nova tentativa do Kremlin (presidência russa) para “aterrorizar a
população civil” ucraniana.“A utilização
desta capacidade não alterará o curso do conflito nem dissuadirá os
aliados da NATO de apoiar a Ucrânia”, declarou a porta-voz da NATO,
Farah Dakhlallah, num sinal de apoio continuado dos membros da Aliança
Atlântica à Ucrânia, a braços com a invasão russa.Durante
o encontro em Bruxelas, os embaixadores dos países aliados receberam
informação por videoconferência de altas patentes do Exército ucraniano
sobre os acontecimentos da última semana, quando a Rússia disparou um
míssil balístico de médio alcance contra a cidade de Dnipro, a quarta
maior cidade da Ucrânia, com cerca de um milhão de habitantes (antes da
guerra), e um dos principais centros industriais do país.Na
passada quinta-feira, as forças russas lançaram uma nova bateria de
mísseis sobre diversas zonas do território ucraniano, incluindo um novo
míssil balístico com o qual pretendiam atingir infraestruturas
essenciais.Esse facto motivou o pedido de
consultas de Kiev aos membros da NATO, usando o fórum criado em 2023,
que lhe permite uma relação bilateral com o bloco militar ocidental para
obter conselhos políticos e abordar temas urgentes de segurança.A
Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de
proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o
país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União
Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de
Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.A
guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os
lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande
escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo
que as forças de Kiev têm visado alvos em território russo próximos da
fronteira e na península da Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.Quase
a completar três anos de guerra, as Forças Armadas ucranianas
confrontaram-se com falta de soldados e de armamento e munições, apesar
das reiteradas promessas de ajuda dos aliados ocidentais, que começaram
entretanto a concretizar-se.As tropas
russas, mais numerosas e mais bem equipadas, prosseguem o seu avanço na
frente oriental, apesar da ofensiva ucraniana na Rússia, na região de
Kursk, e da recente autorização do Presidente norte-americano, Joe
Biden, para utilizar mísseis de longo alcance fornecidos pelos Estados
Unidos para atacar a Rússia.As negociações
entre as duas partes estão completamente bloqueadas desde a primavera
de 2022, com Moscovo a continuar a exigir que a Ucrânia aceite a
anexação de uma parte do seu território.