NATO quer cooperar mais com Coreia do Sul no setor da segurança
30 de jan. de 2023, 10:36
— Lusa/AO Online
O
secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, reuniu-se
em Seul com o Presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, e com o ministro
da Defesa do país, Lee Jong-sup, durante o segundo e último dia da sua
viagem à Coreia do Sul.A visita do
responsável da NATO centrou-se no reforço da cooperação com a Coreia do
Sul, país que participou como observador na cimeira da Aliança Atlântica
em Madrid no ano passado, e acontece no contexto da guerra na Ucrânia,
das tensões entre a China e os Estados Unidos, e do desenvolvimento
armamentista da Coreia do Norte.Neste
contexto, Stoltenberg sublinhou a importância da "dissuasão alargada"
dos Estados Unidos no Sul para garantir a segurança do país asiático e
"impedir a proliferação de armas nucleares na região".Alguns
aliados e parceiros da NATO, como a Coreia do Sul, "não possuem as suas
próprias armas nucleares, mas estão cobertos pela dissuasão nuclear
oferecida pelos Estados Unidos", disse hoje o secretário-geral durante a
sua intervenção num fórum.Stoltenberg
observou que a dissuasão nuclear "ainda é uma tarefa extremamente
importante a ser realizada enquanto existirem armas atómicas".Para
o responsável da NATO, a dissuasão será necessária enquanto houver
"poderes autoritários” que possuam armas nucleares, como a Rússia, e
investem pesadamente para os mobilizar, como a China, além de “aumentar o
número e alcance" dos seus ativos, como também está a fazer a Coreia do
Norte.O Pentágono assumiu o compromisso
de aplicar a dissuasão estendida a Seul com base nas ações do regime
norte-coreano e enviará ativos estratégicos dos Estados Unidos, assim
como realizará exercícios conjuntos em resposta aos testes de armas da
Coreia do Norte.Nesse sentido, o
Presidente sul-coreano pediu a Stoltenberg que a NATO "continue a
desempenhar um papel ativo" para dissuadir a Coreia do Norte de
"provocações imprudentes", como a sucessão de lançamentos de mísseis
balísticos ou o novo teste atómico que Pyongyang está a preparar,
segundo o serviços de informação de Washington e Seul.Stoltenberg
concordou e também indicou a sua disposição de ampliar a cooperação
entre a NATO e Seul no campo da cibersegurança e novas tecnologias, além
de convidar Yoon para a próxima cimeira dos da Aliança Atlântica, que
acontecerá na Lituânia em julho, segundo o gabinete presidencial
sul-coreano.Paralelamente à visita do
responsável da NATO a Seul, o secretário de Defesa dos Estados Unidos,
Lloyd Austin, chegou hoje à Coreia do Sul e deve reunir-se com seu
homólogo sul-coreano na terça-feira.Stoltenberg
também pediu durante a sua visita à Coreia do Sul o envio de armas à
Ucrânia, além da assistência humanitária e equipamentos militares não
letais que Seul já enviou a Kiev.A Coreia
do Sul, assim como o Japão, enviou ajuda humanitária à Ucrânia e
equipamentos militares não letais, devido às limitações das suas leis
nacionais sobre exportação de armas, de acordo com os dois Governos.O
secretário-geral da NATO também expressou a sua preocupação, no
domingo, com o "apoio militar" que a Coreia do Norte está a enviar à
Rússia, nomeadamente "foguetes e mísseis".As
declarações do chefe da Aliança Atlântica ocorreram depois de, no
domingo, o regime norte-coreano negar novamente que o seu país esteja a
fornecer armas à Rússia e ter alertado os Estados Unidos sobre um
"resultado indesejável" se continuar a espalhar tais rumores.A Coreia do Norte também criticou hoje a visita de Stoltenberg ao país vizinho e chamou-a de "prelúdio ao confronto e à guerra".Stoltenberg
planeia partir hoje para o Japão para se encontrar com o
primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, e outros membros do seu
Executivo, tendo os mesmos assuntos de agenda que abordou em Seul.