NATO prepara exercícios no Ártico para os próximos meses perante ameaça russa e chinesa
Hoje 16:59
— Lusa/AO Online
Numa
conferência de imprensa em Bruxelas, o presidente do Comité Militar da
Aliança Atlântica, o almirante Giuseppe Dragone, afirmou que os chefes
do Estado-Maior dos 32 aliados da NATO, que estiveram reunidos na
capital belga, discutiram os “desafios de segurança sem precedentes” que
a organização enfrenta, incluindo os relacionados com a região ártica.“Discutimos
o Ártico, naturalmente, uma região de importância estratégica para a
NATO, onde já temos exercícios militares e atividades de treino
planeadas para os próximos meses”, informou Dragone.O
almirante sublinhou que a Aliança se mantém “firme” na salvaguarda da
segurança de “mais de mil milhões de pessoas em toda a área
euro-atlântica”.Dragone destacou que a
importância do Ártico para a NATO se tornou ainda mais evidente com a
adesão recente da Finlândia e da Suécia, dois países com território na
região anteriormente neutros.O líder do
Comité Militar, a principal fonte de conselhos militares da Aliança,
garantiu que os exercícios não terão lugar na própria Gronelândia, mas
sim no conjunto da região ártica, observando que o NORAD - comando
conjunto dos Estados Unidos e do Canadá - já está atualmente a realizar
operações na zona.Dragone acrescentou que,
caso a NATO seja incumbida de novas missões de vigilância no Ártico,
dispõe de “capacidade suficiente” para responder às necessidades, em
particular nos domínios marítimo e aéreo.O
almirante informou ainda que a Aliança está a preparar-se para reforçar
a sua capacidade de operar em condições climáticas extremas, incluindo
através da aquisição de novos quebra-gelos.O
presidente do Comité Militar revelou igualmente que estão em estudo
projetos a longo prazo, como a instalação de novos sensores e
capacidades de deteção no Ártico.Questionado
sobre o princípio de acordo alcançado na quarta-feira entre o
Presidente norte-americano, Donald Trump, e o secretário-geral da NATO,
Mark Rutte, envolvendo a Gronelândia, Dragone respondeu que se trata de
uma fase “muito inicial” do processo.“Sabemos
que foi estabelecida uma estrutura entre a Gronelândia, a Dinamarca e
os Estados Unidos, mas ainda aguardamos instruções”, explicou Dragone,
sobre as conversações mantidas na quarta-feira à margem do Fórum de
Davos, na Suíça.O almirante pediu “calma”
aos gronelandeses quanto à possibilidade de um conflito entre aliados,
referindo que está em curso “um debate político” e que se procura “a
melhor solução para todos”.“Mil milhões de
cidadãos em toda a Aliança, incluindo os da Gronelândia, podem contar
com o nosso compromisso coletivo com o artigo 5.º, que se mantém
inabalável”, assegurou Dragone.O artigo
5.º da NATO expressa que os países signatários concordam que um ataque
armado contra um ou vários desses países será considerado um ataque a
todos.Já hoje, Mark Rutte explicou que a
soberania dinamarquesa sobre a Gronelândia não foi discutida na reunião
com Donald Trump, mas apenas a necessidade de “proteger esta vasta
região do Ártico”, onde a China e a Rússia estão cada vez mais ativas.Giuseppe Dragone apontou como uma das “mudanças mais preocupantes” o reforço da cooperação entre Moscovo e Pequim na região.“Estão
a ser realizadas patrulhas conjuntas no mar e no ar, incluindo com
bombardeiros de longo alcance, e essa atividade conjunta está claramente
a aumentar”, alertou o almirante, acrescentando que as alterações
climáticas estão a abrir novas rotas marítimas no Ártico, tornando o
controlo da região um desafio estratégico crescente.“A
região é muito importante para a NATO e para os países que dependem da
dissuasão, porque o degelo está a alterar rapidamente o acesso a esta
área”, concluiu Dragone.