NATO não chega a decisão final sobre retirada de tropas do Afeganistão
18 de fev. de 2021, 17:07
— Lusa/AO Online
“Enfrentamos
muitos dilemas e não há opções fáceis. Neste estado, não tomámos
qualquer decisão final sobre o futuro da nossa presença mas, tendo em
conta que a data de 01 de maio está a aproximar-se, iremos continuar a
consultar-nos estreitamente e a coordenarmo-nos nas próximas semanas”,
referiu Jens Stoltenberg em conferência de imprensa após uma cimeira de
dois dias com os ministros de Defesa da Aliança. Referindo
que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em
inglês) “apoia fortemente” o processo de paz em curso no Afeganistão –
como demonstram a redução significativa das tropas da NATO no país –,
Stoltenberg apelou a que as conversas entre o Governo afegão e os
talibãs sejam “revitalizadas”. “As
conversas são frágeis e o progresso é lento, por isso é imperativo
revitalizar o processo de paz. Todas as partes devem aproveitar esta
oportunidade histórica para chegar a uma resolução pacífica, sem mais
delongas”, defendeu. Stoltenberg sublinhou
assim que os Aliados “acreditam que ainda há tempo para se chegar a um
acordo político”, e para que se “vejam progressos” nas negociações antes
do dia 01 de maio – a data acordada entre os Estados Unidos e os
talibãs para a retirada total das tropas internacionais do país –,
salientando também que a NATO fará “tudo o que conseguir” para que as
conversas “tenham sucesso”. “O processo de
paz é a melhor oportunidade para pôr fim a anos de sofrimento e de
violência e para criar uma paz durável. É importante para o povo afegão,
para a segurança da região e para a nossa própria segurança”, admitiu. No
entanto, frisou que a presença da NATO do Afeganistão é “baseada em
condições” e apelou a que os talibãs “negociem em boa fé”, reduzam o
“nível elevado de violência” e deixem de colaborar com “grupos
terroristas internacionais”.Reiterando que
a decisão sobre uma eventual retirada das tropas do Afeganistão é uma
“decisão difícil, composta por “dilemas muito fortes e muito difíceis”,
Stoltenberg enumerou os riscos que tanto a manutenção da missão como a
sua dissolução podem acarretar.“Se
ficarmos para lá do dia 01 de maio, corremos o risco de termos mais
violência, de termos mais ataques contra as nossas tropas, e corremos o
risco de tornarmo-nos parte de uma presença contínua no Afeganistão que
pode ser complicada. Mas, se nos retirarmos, então arriscamo-nos a que
os progressos que fizemos sejam perdidos e que o Afeganistão se torne
novamente num porto seguro para os terroristas”, destacou.O
Afeganistão e os Estados Unidos chegaram a acordo em 29 de fevereiro de
2020 para a retirada de todas as tropas norte-americanas do país até 01
de maio deste ano, em troca de garantias, da parte dos talibãs, de que
não permitiriam a utilização das suas bases para a organização de
ataques terroristas internacionais.Face ao
aumento recente de violência no país, tinham surgido apelos em
Washington para que a retirada das tropas aliadas do Afeganistão fosse
adiada, estando Joe Biden neste momento a rever o acordo assinado em
2020.Em resposta, os talibãs responderam,
num comunicado publicado a 16 de fevereiro, referindo que "o
prolongamento da ocupação e da guerra" não é do interesse de nenhuma das
partes."A nossa mensagem, tendo em vista a
reunião de ministros da NATO, é que o prolongamento da ocupação e da
guerra não é nem do vosso interesse, nem do vosso povo ou do nosso",
declararam os talibãs nesse comunicado."Quem
procurar o prolongamento das guerras e da ocupação será
responsabilizado, como tem acontecido nas últimas duas décadas",
advertiu o grupo.A NATO tem atualmente
cerca de 9.500 soldados no Afeganistão a prestarem apoio técnico e
logístico às forças de segurança afegãs, no quadro da missão ‘Resolute
Support’, em que Portugal participa com 174 militares.