Natália Correia evocada nos Açores na passagem do centenário de nascimento
7 de mar. de 2023, 17:19
— Lusa
Pedro do Nascimento Cabral
expressou a “satisfação e o orgulho” da Câmara Municipal de Ponta
Delgada por estar ao lado das celebrações do nascimento da poetisa,
sendo que “falar de Natália Correia é falar de cultura, de uma mulher
que libertou o pensamento do país, ímpar na luta pelos direitos humanos e
pelos direitos das mulheres, singular na literatura”. Para
o autarca, que falava em conferência de imprensa, em Ponta Delgada,
Natália Correia é uma “referência de Ponta Delgada com projeção no país e
no mundo, cujo legado nunca é demais lembrar”.O
programa arranca no sábado, no Centro Natália Correia, onde a
jornalista Vera Santos conduzirá a apresentação do disco vinil “Projeto
Natália”, seguido de um concerto com canções e poema interpretados pelos
artistas Mia Tomé e Mário George Cabral. A
14, 15 e 16 de março vai ter lugar, também no Centro Natália Correia, o
colóquio comemorativo do centenário do nascimento das poetisa (1923 –
2023), que conta com a presença de especialistas da sua obra, como a
escritora Ângela Almeida, que integra a comissária científica da
iniciativa.As outras figuras que integram a
iniciativa são José Anes, Anselmo Borges, Armando Nascimento Rosa,
Fernando Dacosta, Francisco Topa, Júlia Lello, João de Melo e António
Vilhena. A 14 de março, no Auditório da
Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, terá lugar um
concerto com poemas de Natália Correia, protagonizado pelo cantor Aníbal
Raposo, acompanhado por Paulo Bettencourt, na guitarra, e por Romeu
Presunça nas percussões.De 20 de abril a
30 de junho, no Centro Municipal de Cultura tem lugar a Exposição
Comemorativa do Centenário do Nascimento de Natália Correia, numa
parceria da Câmara Municipal de Ponta Delgada com o Museu Carlos
Machado.Natália Correia nasceu há cem anos
na Fajã de Baixo, na ilha de São Miguel, e a sua obra abarca diferentes
géneros literários, da poesia ao romance, ao teatro, à literatura de
viagens e ao ensaio, envolvendo ainda vasta colaboração em publicações
nacionais e estrangeiras.“Não Percas a
Rosa. Diário e algo mais”, que iniciou a 25 de Abril de 1974 e continuou
até 20 de dezembro de 1975, teve edições em 1978 e 2003.Estreou-se
na literatura aos 22 anos (1946), com um romance juvenil, “Grandes
Aventuras de um Pequeno Herói”, na mesma altura em que chegou ao
jornalismo, no antigo Rádio Clube Português, cerca de três décadas antes
de dirigir as revistas Século-Hoje (1975-1976) e Vida Mundial (1976).O seu primeiro livro de poesia “Rio de Nuvens” data de 1947.De
sua autoria são ainda os livros de poesia “Cântico do País Emerso”
(1961), “O Vinho e a Lira” (1969) e “Mátria” (1967), “Memória da Sombra,
versos para esculturas de António Matos” (1993).A sua Poesia Completa, “O Sol nas Noites e o Luar nos Dias”, saiu em 1993 e foi reeditada em 2000.Natália
Correia coordenou várias antologias, como “Antologia de Poesia
Portuguesa Erótica e Satírica: dos cancioneiros medievais à atualidade”,
saída em 1965 e que foi proibida pela Censura da ditadura do Estado
Novo que a levou ao Tribunal e a uma sentença com pena suspensa. A obra
foi publicada novamente em 2000.Natália Correia morreu aos 69 anos, a 16 de março de 1993, em Lisboa, cidade onde residia desde os 11 anos.