NASA pronta para lançar na quinta-feira robô que vai extrair amostras de rochas de Marte
28 de jul. de 2020, 11:16
— Lusa/AO Online
A data de lançamento da missão, já
conhecida, foi hoje confirmada pela NASA em conferência de imprensa,
transmitida do Centro Espacial Kennedy, no Cabo Canaveral, Florida, de
onde, às 07:50 locais (11h50 nos Açores), será enviado o veículo
robotizado, a bordo de um foguetão Atlas V.A
MARS 2020 – Perseverence (Perseverança) será a primeira missão a
extrair amostras de solo e rocha de Marte. As amostras serão enviadas,
posteriormente, para análise na Terra através de uma outra missão
robótica, com lançamento previsto para 2026 e com a colaboração da
Agência Espacial Europeia (ESA).Após uma
viagem de sete meses, o veículo robotizado Perseverance deverá aterrar
em Marte, em 18 de fevereiro de 2021, na cratera Jezero, onde terá
existido um lago e um delta (foz de rio).Na
sua primeira missão dedicada à astrobiologia, a NASA vai procurar
sinais (químicos) de vida microbiana passada em Marte, caracterizar o
clima e a geologia do planeta e, assim, abrir caminho para o envio de
astronautas para a sua superfície, uma ambição que os Estados Unidos
pretendem concretizar depois de conseguirem ter novamente astronautas na
Lua (a primeira missão tripulada de regresso à Lua, depois da última em
1972, está prevista para 2024).Juntamente
com veículo robotizado segue um engenho voador, semelhante a um
minúsculo helicóptero, que irá testar um voo controlado noutro planeta.O
administrador da NASA, Jim Bridenstine, assegurou estar tudo pronto
para o lançamento na quinta-feira, sublinhando que se trata de "uma
missão importante para o mundo", e não apenas para os Estados Unidos, e
"a mais sofisticada" do género.Segundo
Bridenstine, a MARS 2020 - Perseverence permitirá testar um método de
produzir oxigénio (essencial para a sobrevivência de astronautas em
Marte) a partir da atmosfera marciana (rica em dióxido de carbono). O
dirigente da NASA enfatizou que são "tempos excitantes" os que se
avizinham, com a possibilidade de se descobrirem vestígios de vida em
Marte, e que a missão foi levada por diante, com "perseverança", por uma
vasta equipa e lançada ainda em 2020, conforme o planeado, apesar das
contingências da pandemia da covid-19.Respondendo
por teleconferência aos jornalistas, Jim Bridenstine recusou a ideia de
haver competição entre a Perseverance e as missões robóticas enviadas
para Marte por países como a China, potência económica que rivaliza com
os Estados Unidos. O subdiretor da missão,
Matt Wallace, realçou que, se tudo funcionar tal como o programado, vai
ser possível "ouvir os sons" de Marte e ver o robô a aterrar e a
trabalhar na sua superfície, uma vez que está equipado com microfones e
com câmaras que permitem fornecer imagens de alta definição.O
veículo robótico de quatro rodas, que pesa pouco mais de uma tonelada,
ostenta uma placa com três 'microchips' que contêm o nome de 11 milhões
de pessoas de todo o mundo, que responderam ao desafio da NASA de
terem o seu nome "escrito" em Marte.Na
superfície de Marte existem dois objetos exploratórios, ambos operados
pela agência espacial norte-americana: o Curiosity, um veículo robótico
com um laboratório que analisa localmente amostras de solo e rocha para
atestar se Marte teve condições para albergar vida microbiana, e o
InSight, uma sonda equipada com uma broca e um sismógrafo para estudar o
interior do planeta. Apesar de inóspito,
Marte é considerado o planeta do Sistema Solar mais parecido com a
Terra. Estruturas geológicas demonstram que, há muito tempo, água
líquida, elemento fundamental para a vida tal como se conhece, abundava
na superfície do 'planeta vermelho'.De acordo com os cientistas, o planeta teve, no passado, um oceano maior do que o Ártico. Estudos
apontam, com base em observações feitas em órbita e na superfície, para
a presença de água líquida salgada e gelada em Marte. O
veículo robótico Perseverance, equipado também com uma broca, vai
perfurar o solo marciano e recolher as amostras de rocha e poeira que se
revelarem mais promissoras para serem estudadas na Terra. As amostras
serão acondicionadas em tubos depositados no subsolo. Espera-se
que uma missão conjunta da NASA e da ESA, com lançamento agendado para
2026, venha a recuperar esses tubos e enviá-los numa caixa para a Terra.A
missão norte-americana Perseverance será lançada depois de a China, que
também pretende ter astronautas em Marte, ter enviado recentemente para
o espaço uma sonda e um robô para procurar água e gelo na superfície do
planeta.Após sucessivos adiamentos, o
mais recente dos quais causado pela pandemia da covid-19, a missão
russo-europeia ExoMARS vai enviar em 2022 para Marte um veículo
robotizado para procurar sinais de vida passada e presente no planeta.O
Japão planeia enviar uma missão robótica para Marte em 2024 para
extrair amostras da superfície do planeta e transportá-las para a Terra
em 2029.