NASA altera planos de regresso à Lua após múltiplos atrasos
Hoje 10:34
— Lusa
Esta mudança abrupta no programa Artemis visa aumentar a cadência dos lançamentos, de forma a facilitar a resolução de problemas técnicos, justificou o novo diretor da NASA, Jared Isaacman."Quando se realiza um lançamento de três em três anos, as competências atrofiam-se", explicou aquele responsável durante uma conferência de imprensa realizada no Centro Espacial Kennedy, na Florida. "Não é o caminho a seguir", frisou.A agência espacial americana vai, portanto, adicionar uma missão intermédia antes do regresso dos astronautas à superfície lunar, inicialmente previsto para o Artemis 3.Este anúncio surge depois de um painel de especialistas, que tem como dever aconselhar a NASA, ter considerado esta missão de alto risco devido ao elevado número de 'primeiras' técnicas e operacionais, num relatório publicado há dois dias.Saudando as decisões tomadas pelo novo administrador da NASA, classificando-as como "realistas e necessárias", o diretor do Space Policy Institute, Scott Pace, disse à agência de notícias francesa AFP esperar outras reformas em breve.Se a mudança anunciada hoje permitirá "certamente reduzir alguns dos riscos", "muitas questões" permanecem sobre a viabilidade de uma base na Lua a curto prazo, principalmente devido à ausência até hoje de um módulo lunar pronto, estima Clayton Swope, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), junto da AFP.Programa emblemático da NASA, o Artemis acumula há anos atrasos e contratempos técnicos. O mais recente é a muito aguardada missão Artemis 2, que enviará astronautas ao redor da Lua pela primeira vez em mais de 50 anos.Esta missão foi adiada mais uma vez, na semana passada, devido a um problema técnico no foguetão e agora está prevista para abril, o mais cedo possível.Perante este novo adiamento e devido à pressão exercida pela China, potência rival dos Estados Unidos que também ambiciona enviar homens à Lua até 2030 e aí instalar uma base, a NASA altera assim os seus planos.Os astronautas, portanto, não irão pousar na superfície lunar durante a Artemis 3, mas tentarão, em vez disso, uma manobra de encontro em órbita com um módulo lunar. A etapa crucial e muito arriscada da base lunar será tentada mais tarde, durante as missões Artemis 4 e Artemis 5, ambas agora previstas para 2028, explicou o chefe da NASA. Este será o último ano do mandato de Donald Trump."Não nos comprometemos necessariamente a lançar duas missões em 2028", precisou o Isaacman, "mas queremos ter a possibilidade de o fazer".Este plano poderá, contudo, ainda ser adiado, devido à NASA, mas também aos seus parceiros privados SpaceX e Blue Origin, as empresas espaciais dos multimilionários Elon Musk e Jeff Bezos, que foram encarregadas do desenvolvimento dos módulos lunares e que também acumulam atrasos.A reformulação anunciada pela NASA visa aproximar a arquitetura de Artemis da do famoso programa Apollo, que nos anos 1960 e 1970 permitiu aos Estados Unidos superar a União Soviética durante a primeira corrida à Lua.Este programa, que consistiu em múltiplas missões próximas de dificuldade crescente, transportou os únicos seres humanos que pisaram a superfície lunar.Anunciado durante a primeira presidência de Donald Trump, depois de ter sido considerado ao longo de várias décadas, o programa Artemis consistia em poucas missões espaçadas com grandes objetivos, sendo a ambição a longo prazo estabelecer uma presença humana duradoura na Lua e preparar futuras missões a Marte.Mas nos últimos anos acumulou muitas críticas devido ao seu custo muito elevado e aos numerosos atrasos.