"Não passa pela cabeça" que Anacom não adapte projeto de regulamento à RCM
5G
22 de jul. de 2020, 12:27
— Lusa/AO Online
Alberto
Souto de Miranda está a ser ouvido na comissão parlamentar de Economia,
Inovação, Obras Públicas e Habitação, no âmbito de um requerimento do
Bloco de Esquerda "a propósito da concorrência no setor das
telecomunicações e os seus efeitos na implementação do 5G em Portugal"."Não
me passa pela cabeça que a Anacom [Autoridade Nacional de Comunicações
(Anacom) não venha agora, tarde é certo, adaptar o projeto de
regulamento [do leilão do 5G] ao que foi aprovado pelo Governo da
República", disse o governante, em resposta aos deputados."Não
me passa pela cabeça porque seria uma violação grave das suas
obrigações (...) espero que a Anacom, que certamente nos estará a ouvir,
reflita nisto que acabei de dizer porque era bom que cada um entendesse
o seu papel, deveres e obrigações", prosseguiu.Alberto
Souto de Miranda referiu a dupla responsabilidade da Anacom, por um
lado ser um regulador independente para regular o mercado e, por outro,
coadjuvar o Governo para a definição da política de comunicações."E
nessa componente de coadjuvar por definição não é independente,
coadjuva, ajuda. E não tem corrido bem esta segunda parte", referiu.O
governante salientou que todos os projetos de Resolução do Conselho de
Ministros (RCM), todos os documentos e iniciativas são partilhadas com a
Anacom.Mas a parte de coadjuvar "tem
introduzido algumas dificuldades neste projeto e o exemplo que já aqui
foi citado - e que tem o mercado com grande perplexidade - é o
regulamento do leilão", apontou, salientando que a Anacom "estava ciente
do que a RCM estava iminente para ser aprovada e, por coincidência, na
véspera, fez aprovar o regulamento do leilão" diferente da do Governo."Muito diferente da RCM", reforçou Alberto Souto de Miranda.