Não há data para nova ronda de negociações com Kiev
Ucrânia
8 de jul. de 2025, 17:19
— Lusa/AO Online
"Como
o Presidente [russo, Vladimir Putin] disse na semana passada, estamos à
espera de uma proposta do lado ucraniano sobre uma possível data.
Quando chegarmos a um acordo, e esperamos que isso aconteça,
informaremos imediatamente", disse o porta-voz da Presidência russa,
Dmitry Peskov, na conferência de imprensa diária.As
duas rondas anteriores ocorreram em meados de maio e início de junho e
resultaram apenas em acordos humanitários para a troca de prisioneiros
de guerra e corpos dos mortos em combate.A
Rússia – que está envolvida numa nova ofensiva no Donbass e no norte da
Ucrânia (Sumi e Kharkiv) - não parece ter pressa em convocar uma nova
ronda de negociações.Putin afirmou
recentemente que a Rússia está disposta a participar numa terceira
ronda, mas admitiu de imediato que "os memorandos russo e ucraniano são
diametralmente opostos".O ponto de
discórdia continua a ser que a Ucrânia está a propor o cessar das
hostilidades antes de abordar as questões políticas mais delicadas,
enquanto Moscovo se recusa a ouvir falar de uma trégua, suspeitando que
esta servirá apenas como uma estratégia para alívio da pressão sobre as
tropas inimigas.Na segunda-feira, o
ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, disse que a
terceira ronda está a ser acordada, mas sem detalhes.No
entanto, numa entrevista à imprensa húngara, Lavrov voltou a colocar
obstáculos no caminho das negociações ao propor condições maximalistas
que são inaceitáveis para o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.Lavrov
insistiu que Moscovo defende uma solução política e diplomática, mas
alertou que, sem eliminar as raízes do conflito, nunca haverá paz
duradoura entre os dois países.O ministro
russo pediu a eliminação das ameaças representadas pela expansão da NATO
e exigiu o reconhecimento internacional das anexações da península
ucraniana da Crimeia e das regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e
Zaporijia pela Rússia e insistiu ainda na desmilitarização e
“desnazificação” da Ucrânia, bem como no levantamento das sanções contra
a Rússia e na devolução dos bens russos congelados no Ocidente.Lavrov
considerou ainda crucial que a Ucrânia regresse aos princípios
estabelecidos quando declarou a independência em 1991: a neutralidade,
que exclui o envio de tropas estrangeiras, bem como a entrada em blocos
militares como a NATO.Entretanto, o
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem criticado o
fornecimento excessivo de armas à Ucrânia autorizado pelo antecessor Joe
Biden, disse que Washington vai enviar novos carregamentos de armas
para Kiev."Temos de enviar mais armas.
Temos de o fazer para que sejam capazes de se defender. Estão a ser
atacados com demasiada força", disse Trump aos jornalistas durante um
jantar com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na
segunda-feira, na Casa Branca."Não estou
nada satisfeito com o Presidente Putin", confessou Trump, que já tinha
expressado opiniões semelhantes na semana passada, após uma conversa
telefónica com o líder russo, antes de uma outra chamada telefónica para
Kiev.Zelensky anunciou - depois do que
chamou a melhor conversa telefónica que teve com Trump desde janeiro -
acordos de armas para defesa aérea com os EUA e com a Dinamarca para a
produção em massa de drones.