'Não é o Banco de Portugal que pode pôr limites às comissões bancárias'
Hoje 12:39
— Lusa/AO Online
Álvaro Santos Pereira
falava hoje numa audição no parlamento, no âmbito dos requerimentos
apresentados pelo grupo parlamentar do PCP, grupo parlamentar do PS e
grupo parlamentar do CH relativos ao processo do “cartel da banca".O
responsável defendeu que a prescrição dos processos é uma questão dos
tribunais e legislativa, considerando que não é aceitável ter uma
situação em que, em vários casos importantes do país, é possível ir "de
recurso em recurso até à prescrição"."É importante a justiça fazer reformas, mas isto não é responsabilidade do BdP nem da Autoridade da Concorrência", admitiu.Em
relação às questões das receitas das instituições, o responsável
salientou que "os bancos são livres de fixar os produtos e serviços que
comercializam, exceto nos casos em que a lei estabelece proibições ou
limites específicos"."Não é o Banco de
Portugal que pode pôr limites às comissões. São os senhores deputados",
disse, acrescentando que as comissões representam cerca de 20% do total
das receitas, "mas se vai haver algum limite ou se poderá haver algum
limite às comissões, não é o Banco de Portugal que tem essa influência, é
o legislador".Santos Pereira adiantou
ainda que entre 2019 e 2025, o Banco de Portugal determinou um reembolso
de mais de 65 milhões de euros em comissões de despesas e juros
indevidamente cobrados pelos supervisionados.Quanto
aos "comportamento ilícitos" que deram origem ao processo do "cartel da
banca", Santos Pereira disse que só se pode "censurar e tudo fazer para
que não se repita".O governador admitiu
que se vivem hoje "tempos de grande incerteza, marcados por conflitos
armados e tensões geopolíticas, felizmente com um sistema bancário mais
bem preparado para enfrentar ameaças"."Isto
não significa que possam relaxar", alertou, apontando que as
instituições devem ser "proativas na identificação dos riscos".Santos
Pereira assegurou ainda que a atuação do BdP "vai manter-se exigente e
vigilante", com atenção ao risco de crédito e ao contexto
macroeconómico.O responsável apontou ainda
que o banco central tem "tentado criar condições para um sistema
financeiro mais justo", estando atualmente a "reformular o comparador de
comissões, alargando a produtos de poupança e potencialmente outros
produtos financeiros".