Nadal pode ter ficado mais perto do final da carreira após perder com Van de Zandschulp
19 de nov. de 2024, 18:15
— Lusa/AO Online
O ‘capitão’ David Ferrer escolheu o
lendário maiorquino para abrir o duelo dos quartos de final, mas Nadal
ofereceu uma ‘pálida’ imagem, vendo mesmo o 80.º jogador mundial colocar
um ponto final na sua série de 29 triunfos consecutivos em singulares
na Taça Davis.‘Rafa’, que em singulares
tinha perdido apenas o seu primeiro encontro na competição no já
distante ano de 2004, foi hoje derrotado por duplo 6-4.Cinco
vezes campeão da Taça Davis, Nadal tinha prometido na véspera que as
emoções ficariam fora do court, mas hoje ao ouvir o hino espanhol não
conseguiu evitar as lágrimas, uma imagem replicada também pelo público
que esgotou o Palácio dos Desportos Martín Carpena, em Málaga. Depois
de três meses e meio sem competições oficiais, mais concretamente desde
que foi eliminado, juntamente com Carlos Alcaraz, nos quartos de final
de pares do torneio olímpico de Paris2024, o maiorquino surgiu ‘apagado’
e sem inspiração para contrariar o jogo de Botic van de Zandschulp.Embora
tivesse vencido sem dificuldades o neerlandês nos dois encontros
anteriores entre ambos, curiosamente em Grand Slams e em 2022 (Roland
Garros e Wimbledon), hoje Nadal ‘demonstrou’ o porquê de ter decidido
colocar um ponto final na sua carreira, com o seu corpo a não
corresponder à importância da ocasião.Quebrado
no nono jogo, num momento em que baixou de intensidade, o maiorquino
não conseguiu ‘acordar’ e acabou por perder o primeiro parcial por 6-4,
em apenas 45 minutos. ‘Ausente’, sem chama
e também sem capacidade física, Nadal sofreu novo ‘break’ na entrada do
segundo set e complicou, e muito, a sua tarefa, e também a de Espanha
diante dos Países Baixos, no primeiro embate dos quartos de final da
Taça Davis. Foi apenas quando já estava a
perder por 4-1, depois de ser novamente quebrado no quinto jogo, que o
esquerdino de Manacor, de 38 anos, descobriu a garra a que habituou o
mundo do ténis, levando o público ao rubro e a gritar “Sim, é possível”.
E foi mesmo, com o antigo número um
mundial e vencedor de 22 torneios do Grand Slam a devolver o ‘break’ e a
adiar o desfecho do encontro e, talvez mesmo, da sua carreira. Mas
Botic van de Zandschulp não ‘tremeu’ e, ao servir para fechar com 5-4
no marcador, anulou o momento crescente de Nadal, consumando a vitória
em uma hora e 52 minutos.Cabe agora ao
jovem Carlos Alcaraz, de 21 anos, evitar o final da carreira do seu
compatriota, e também do percurso de Espanha nesta Davis em ‘casa’, com o
número três mundial a estar obrigado a ganhar a Tallon Griekspoor
(40.º) para ‘forçar’ um decisivo encontro de pares.