Nadador-salvador diz que é difícil sobreviver a ondas que provocaram tragédia do Meco
17 de mai. de 2021, 17:35
— Lusa/AO Online
Marco Bernardo,
nadador-salvador e fuzileiro da Marinha Portuguesa, não estava no local
na noite em que morreram os seis jovens, que, alegadamente, estariam a
ser praxados pelo então `dux´ da universidade Lusófona, João Gouveia,
mas garantiu ao tribunal de Setúbal que seria muito difícil qualquer
pessoa sobreviver a ondas de 3-4 metros, dado que as pessoas atingidas
podem sofrer fraturas e a grande maioria perde a consciência de
imediato.O nadador-salvador disse ainda em tribunal já ter resgatado dezenas de vítimas em diversas praias.Em
declarações anteriores ao tribunal, João Gouveia, único sobrevivente da
tragédia do Meco, disse ter sido apanhado pela mesma onda que arrastou
os outros seis jovens que perderam a vida na noite de 15 de dezembro de
2013, na praia do Meco, em Sesimbra, no distrito de Setúbal.O
ex-`dux´ João Gouveia, que, juntamente com Universidade Lusófona, é réu
no processo cível em que as famílias dos seis jovens falecidos reclamam
uma indemnização de 1,3 milhões de euros, afirmou ainda ao tribunal de
Setúbal que ouviu gritos de socorro e que ainda terá tocado numa das
vítimas sem que tivesse conseguido resgatá-la do mar.Hoje, Marco Bernardo referiu ainda que, devido ao barulho das ondas, seria extremamente difícil ouvir gritos de socorro. Ainda
segundo o nadador-salvador, quando há contacto com um náufrago, este,
normalmente, agarra-se de tal maneira que é muito difícil a qualquer
pessoa libertar-se.A tragédia na praia do
Meco ocorreu a 15 de dezembro de 2013, tendo sido aberto um inquérito
às circunstâncias da morte dos seis jovens, mas que viria a ser
arquivado em julho de 2014 e reaberto em outubro do mesmo ano, quando o
‘dux’ João Gouveia foi constituído arguido.Em
março de 2015, o Tribunal de Instrução Criminal de Setúbal decidiu não
enviar o processo-crime para julgamento e o Tribunal da Relação de
Évora, após recurso da defesa, manteve a decisão, sublinhando que as
vítimas eram adultas e não haviam sido privadas da sua liberdade durante
a praxe, pelo que não havia responsabilidade criminal sobre João
Gouveia.Em 2016, os pais das vítimas
avançaram com as seis ações cíveis contra o único sobrevivente e a
Universidade Lusófona, tendo o pai de Tiago Campos apresentado também
uma queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH).A
queixa foi apresentada em 27 de maio de 2016 com a alegação de que
Portugal tinha violado o artigo 2.º da Convenção Europeia dos Direitos
do Homem, o artigo que prevê o direito à vida.Em
janeiro do ano passado, o TEDH condenou o Estado português a pagar
13.000 euros de indemnização à família e apontou falhas à investigação.O
TEDH considerou que a investigação não satisfez os requisitos
referentes à proteção do direito à vida, sobretudo porque uma série de
medidas urgentes podiam ter sido tomadas logo após a tragédia do Meco.