Nadador João Vital acusou cansaço após ter curado infeção
Covid-19
2 de jan. de 2021, 12:43
— AO Online/ Lusa
“Não sentia febre nem tosse. O meu sintoma era mesmo cansaço, falta de olfato e paladar. Estive um mês parado e voltei a treinar muito devagar, ainda com as mazelas do vírus. Se ficasse em pé durante cinco minutos nos treinos, já me começavam a doer as pernas e isso não é uma coisa boa de se ver”, contou à Lusa o atleta do Sporting.João Vital, de 22 anos, considera “muito estranho” ter sido o único membro da família infetado pela covid-19, até porque, ao invés dos pais, que “testaram logo negativo”, precisou de três testes, incluindo um inconclusivo, até ser dado como recuperado.“Foi muito frustrante. Via outros a treinar e malta que já teve covid-19 a regressar bem, mas eu não me sentia bem quando tentei voltar. Nos últimos tempos, tenho melhorado a parte do cansaço. Acho que já não tenho mazelas, apesar de ser algo esquisito quando fico mais cansado. Fico com medo se será por causa do vírus”, admitiu o lisboeta.O regresso competitivo aconteceu no Open do Jamor, a derradeira prova da natação lusa em 2020, entre 19 e 20 de dezembro, com João Vital a ser segundo colocado nos 200 metros costas, terceiro nos 200 bruços, quinto nos 200 mariposa e nono nos 200 livres.“Fui lá basicamente para treinar e gostei dos indicadores. Não me senti bem em relação aos outros, mas senti-me bem face às minhas expectativas. Notei melhorias de sábado para domingo. Isso demonstra que competir regulamente pode motivar um atleta e ajuda muito na parte psicológica, sobretudo quando as coisas estão menos bem”, vincou.Volvidos três meses depois de se curar da covid-19, o nadador do Sporting estima “faltar 25%” para reavivar a sua melhor forma, numa ambição desportiva focada em março, quando surgirão novos eventos de qualificação para os Jogos Olímpicos Tóquio2020.“Se não tiver paragens, penso que está muito ao meu alcance. A meta é difícil, mas não posso deixar de sonhar e tenho de acreditar até ao último segundo”, frisou, esperando acompanhar Alexis Santos e Gabriel Lopes (200 metros estilos), Diana Durães e Tamila Holub (1.500 livres) e Ana Catarina Monteiro (200 mariposa) na viagem até ao Japão.A estreia nos Jogos, adiados para o período entre 23 de julho e 08 de agosto de 2021, devido à pandemia de covid-19, retribuiria a resiliência de João Vital, que só competiu por três vezes em 2020 e enfrentou o confinamento primaveril quase sem contacto com a água.“Seria muito importante, principalmente por aquilo que trago de trás e por todo o trabalho feito até agora. O meu avô esteve em Tóquio1964 e era algo inédito na natação que o neto de um atleta conseguisse ir aos Jogos Olímpicos no mesmo sítio ao fim de 57 anos. Esse sonho motiva-me e faz-me acreditar que ainda é possível concretizá-lo”, concluiu.Inserido numa família com três gerações vinculadas à natação, o ex-atleta de Algés e Dafundo, Belenenses e Colégio Monte Maior é neto de Herlander Felga Ribeiro, de 77 anos, nadador olímpico nos 100 metros livres em Roma1960 (37.º) e Tóquio1964 (57.º).