Musical no Canadá destaca riscos de perda de identidade de lusodescendentes
19 de nov. de 2019, 10:59
— Lusa/AO Online
"Quando imigramos para um
novo país, todos nós corremos o perigo de perdermos a nossa cultura, a
própria língua, o que me aconteceu nos Estados Unidos, pois há muita
pressão de fingirmos que não somos portugueses", começou por explicar à
agência lusa, Elaine Ávila.A professora de
teatro do Douglas College em Vancouver, de 54 anos, cresceu na
Califórnia (Estados Unidos), mas está há 30 anos no oeste do Canadá,
filha de emigrantes do Pico e Faial (Açores). O
musical 'Fado - A Música mais Triste do Mundo' está em exibição na
Colúmbia Britânica, até dezembro, e retrata as barreiras dos
lusodescendentes quer na "língua ou na cultura". "Atualmente
vemos imensos escritores emergentes de origem portuguesa, tanto nos
Estados Unidos como no Canadá. Um processo que levou vários anos até que
conseguíssemos ultrapassar barreiras como a imigração, a escola, e o
acesso à educação", afirmou. A
luso-canadiana diz que se inspirou em algumas histórias da comunidade
portuguesa de membros da terceira idade, os "mais bonitos e
impressionantes relatos" que já viu, no Centro Cultural Português de
Burnaby (Vancouver)."Coisas como alguém de
14 anos que saiu de casa e veio trabalhar para o Canadá atravessando
meio oceano, ou que viram pela primeira vez neve, que foi como que
flores a caírem do céu. Outros chegaram a Vancouver, não encontraram
trabalho e foram para a praia", descreveu. A peça foi reconhecida em 2018 pelo Festival Fringe de Victoria (Colúmbia Britânica) com o Prémio de Melhor Musical Favorito. 'Fado
- A Música mais Triste do Mundo' retrata o amor e fantasmas nas ruas e
casas de fado da antiga Lisboa. O espetáculo de teatro e de música
conta a história de uma jovem mulher confrontando o passado fascista de
Portugal e a sua própria identidade.Da
dramaturga Elaine Ávila e dirigido por Mercedes Bátiz-Benét, o musical
conta com a fadista Sara Marreiros, que interpreta o papel do 'fantasma
de Amália Rodrigues', e ainda com a participação dos os músicos e atores
Natasha Napoleão, Lúcia Frangione, Judd Palmer, Pedro Siqueira, Chris
Perrins e Dan Weisenberger. A peça estará em cena em Vancouver, no Firehall Art Centre, de 21 de novembro a 14 de dezembro.