Música e cinema sueco em destaque no Teatro Micaelense até abril
5 de dez. de 2024, 10:35
— Carolina Moreira
O Teatro Micaelense apresentou a sua programação
para os primeiros quatro meses de 2025, com uma forte aposta na música e
no cinema, tendo ainda anunciado a sua credenciação na Rede de Teatro e
Cineteatros Portugueses (RTCP) pela Direção-Geral das Artes (DGArtes).A
casa de espetáculos de Ponta Delgada arranca o programa cultural do
próximo ano com um concerto e brinde de ano novo, a 5 de janeiro, da
responsabilidade da Sinfonietta de Ponta Delgada e com direção do
maestro Amâncio Cabral.Ainda na música, o Teatro vai acolher, a 12
de janeiro, o concerto final do estágio da orquestra de sopros do
Conservatório Regional de Ponta Delgada, sob a batuta do maestro José
Eduardo Gomes.A parceria com o Conservatório irá estender-se ainda à
celebração dos 74 anos do Teatro Micaelense, a 22 de março e com
entrada gratuita, num concerto que conta também com a participação da
Banda Militar dos Açores.Já a 5 de abril, a música eclética estará a
cargo do Coral de São José que irá protagonizar o Requiem do compositor
João Domingos Bomtempo, em memória de Camões.A programação do
Teatro até abril de 2025 contempla ainda música popular, com a estreia
do cantor Fernando Daniel, no dia 8 de fevereiro, e a apresentação do
disco “Cravos D’Aqui e D’Acolá”, de Helena Oliveira (8 de março).Alda
Casqueira irá juntar as famílias no Teatro, no dia 16 de fevereiro,
para cantar músicas infantis, seguindo-se em abril o festival Tremor, já
completamente esgotado (dias 8 a 12).A casa de espetáculos divulgou
também ontem uma forte aposta no cinema, iniciando em janeiro com um
ciclo de dois filmes de Francis Ford Coppola: “Do Fundo do Coração:
Reprise” (dia 24) e “Megalopolis” (dia 25), apesar de o maior destaque
ir para a 5ª edição da Mostra de Cinema Sueco.Entre os dias 21 e 23
de fevereiro, o Teatro irá exibir os filmes “Hilma” (de Lasse
Hallström), “Conspiração do Cairo” (Tarik Saleh), “I Am Zlatan” (Jens
Sjögren) e “Lágrimas e Suspiros” (Ingmar Bergman), em parceria com o
consulado da Suécia nos Açores, sendo a imigração e a igualdade de
género os principais enfoques da mostra deste ano.A peça de teatro
“Telhados de Vidro” é um dos principais destaques da programação do
início do ano, juntando em palco Diogo Infante, Benedita Pereira e Tomás
Taborda no dia 15 de março, havendo ainda espaço para um espetáculo de
humor, com o regresso do comediante Guilherme Duarte no dia 24 de abril.Em
declarações aos jornalistas, o diretor de produção do Teatro
Micaelense, afirma que se trata de um programa “muito diversificado, que
abrange as diferentes áreas artísticas, sempre pautado pela captação de
novos públicos e mais público, obviamente”.Alexandre Pascoal revela
ainda que a “antecipação da programação do primeiro quadrimestre de
2025” foi realizada para “aproveitar o Natal e algumas compras desta
época festiva”.A ocasião contou com a presença especial do detentor
do cartão de sócio número 1 do Teatro Micaelense, que revelou ao
Açoriano Oriental que já frequenta a casa de espetáculos há 74 anos.
“Sou um habitué. Venho a todos os espetáculos de índole cultural”,
revelou Nuno Couto aos 85 anos de idade.Sobre a programação
apresentada, o primeiro sócio do Teatro considera ser “muito boa e
eclética. Abrange vários públicos, sempre com tendência para um nível
cultural, com aposta na música clássica e não só”, constatou.Quanto à
evolução dos espetáculos agendados pelo Teatro, Nuno Couto considera
que “há um grande progresso” e mostra-se “contente por este ano haver
mais cinema”.“Antigamente era só cinema e só depois da remodelação
do Teatro é que começaram a haver outros espetáculos talvez mais
facilitados pela evolução política do país e por patrocinadores, algo
que não havia antigamente”, constatou.Em declarações ao jornal, Nuno
Couto recorda os “tempos antigos”, em que “os espetáculos culturais
aqui eram promovidos pela Academia Musical, que deu origem ao
Conservatório, os bilhetes eram oferecidos e era assim que havia os
eventos de índole musical, além do cinema. Não havia mais nada”, lembra.