Museu em Ponta Delgada inaugura sala para expor obras do pintor Domingos Rebêlo
5 de mar. de 2020, 11:52
— Lusa/AO Online
“É
uma sala, no Núcleo de Santa Bárbara, com obras do artista, umas do
museu e outras que estão em depósito da instituição doadas pelos
herdeiros do próprio artista, obras que nunca foram vistas”, disse hoje à
agência Lusa o diretor da instituição, Duarte Melo, acrescentando que a
inauguração da sala é um tributo no ano em que se completam os 45 anos
sobre a morte de Domingos Rebêlo, figura central do panorama artístico
açoriano do século XX.Ao todo, estarão em
exposição "cerca de 50 obras do artista, peças que serão renovadas" ao
longo desta mostra de longa duração, com curadoria de Sílvia Massa,
adiantou o diretor do Museu Carlos Machado.Domingos
Maria Xavier Rebêlo nasceu a 03 de dezembro de 1891, em Ponta Delgada,
São Miguel, e morreu a 11 de janeiro de 1975, em Lisboa."Há
muitas obras que são do desconhecimento do público que estavam nas mãos
da família de Domingos Rebêlo e que vão ser mostradas pela primeira vez
numa instituição de serviço público, o Museu Carlos Machado, e que tem
obrigação de divulgar o património, conservá-lo e de estudá-lo",
salientou Duarte Melo.Com a inauguração da
sala para a exposição do núcleo de obras de Domingos Rebêlo existente
no acervo e nas coleções particulares de Luís Rebêlo e de Pedro Rebêlo
(dois netos e herdeiros do pintor), "em regime de depósito no museu
desde meados de 2019", a instituição passa a ter "dois grandes artistas
residentes no núcleo"."É para nós um
momento de grande alegria, porque o museu estabelece a relação com os
seus públicos através da exposição e passamos a ter no Núcleo de Santa
Bárbara os dois artistas de relevância para os Açores, Canto da Maia -
com uma exposição de longa duração - e agora Domingos Rebêlo", salientou
o responsável.Duarte Melo sublinhou que a
inauguração, na próxima sexta-feira pelas 18:00 locais (19:00 em
Lisboa), ocorre no ano em que se completam "os 45 anos sobre a morte de
Domingos Rebêlo", um "artista de grande importância para o povo dos
Açores pela vertente identitária que ele representa muito bem" e que
soube "pintar a alma açoriana"."A
abordagem expositiva ao conjunto da obra artística existente nas três
coleções expõe o percurso de Domingos Rebêlo através das suas obras
produzidas entre 1905 e 1947, dando a conhecer novas temáticas, além de
buscar a visão panorâmica da globalidade do percurso multifacetado
trilhado ao longo de mais de seis décadas pelo pintor", explica a
instituição.As obras em exposição encontram-se distribuídas por seis núcleos temáticos, segundo nota divulgada pelo museu.Com
formação artística realizada entre 1907 e 1913, em Paris, Domingos
Rebêlo marcou a sua entrada na cena artística portuguesa na exposição
coletiva “Arte Livre”, realizada em 1911, em Lisboa.Depois
da formação em Paris, onde viveu seis anos, Domingos Rebêlo regressou,
em 1913, a São Miguel, onde permaneceu 30 anos, deslocando-se de vez em
quando a Lisboa, onde participou com regularidade nas exposições anuais
da Sociedade Nacional de Belas Artes, de que era sócio e de que seria
mais tarde dirigente.A partir de 1942, o pintor mudou-se, definitivamente, para Lisboa, cidade onde morreu em 1975.Foi
aluno, professor e diretor da antiga Escola Industrial e Comercial de
Ponta Delgada, estabelecimento de ensino que a partir de 1979 passou a
denominar-se Escola Secundária Domingos Rebelo.O
pintor micaelense "alcançou várias distinções e prémios ao longo da
carreira. Dentro da sua produção multifacetada, cumpre mencionar a
gravura e a escultura em madeira de tipos populares de notório cariz
etnográfico existente na coleção do Museu Carlos Machado", explica a
nota.