Municípios valorizam autonomia embora sem cumprir Lei das Finanças Locais
16 de nov. de 2017, 10:02
— Lusa/AO online
"A
reposição da capacidade financeira que foi fixada, na ordem dos 1,5% da
massa global, no âmbito da Lei das Finanças Locais [LFL], é positivo
para quem está habituado a, de ano para ano, receber cortes, mas 1,5%
parece-nos que não é suficiente", afirmou Manuel Machado.No
âmbito da apreciação, na especialidade, da proposta de lei do Orçamento
do Estado para 2018 (OE2018), o presidente da ANMP considerou na
audição conjunta das comissões parlamentares de Orçamento e Finanças e
do Ambiente e Poder Local, que as verbas previstas pelo Governo para
transferência também "parecem insuficientes" para as comunidades
intermunicipais.Apesar
do documento não cumprir a LFL, no que toca às transferências de verbas
para as autarquias, o também presidente da Câmara de Coimbra apontou
como positivas medidas relacionadas com a gestão municipal dos recursos
humanos e a não aplicação da Lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso
nos municípios que não ultrapassem os limites de endividamento.O
dirigente da ANMP apontou, no entanto, como antigas reivindicações
ainda não atendidas a redução para a taxa mínima do IVA sobre a
iluminação pública e as refeições escolares e, "pela quinta vez", o não
pagamento de taxa de audiovisual em ligações elétricas para semáforos ou
na captação de água.Para
a ANMP, será conveniente que o Governo possa concluir, com o
parlamento, o processo de descentralização de competências para as
autarquias e para as entidades intermunicipais, acompanhado da revisão
da LFL, para assegurar o financiamento das novas atribuições.O
deputado Maurício Marques (PSD) salientou que o Governo se comprometeu a
rever o Fundo de Apoio Municipal (FAM), criado pelo executivo
PSD/CDS-PP, alertando para um eventual risco de rutura financeira do
mecanismo de apoio aos municípios endividados."Não
há risco de rutura do FAM, na medida em que a lei do FAM tem uma regra
que, se por circunstâncias excecionais, houver uma necessidade acelerada
e antecipada face ao previsto, o Governo/administração central tem de
repor, adiantando o dinheiro necessário", explicou Manuel Machado.Após
a recapitalização do fundo, o mecanismo do FAM prevê que "depois a
partilha de encargos será negociada com os municípios", adiantou o
autarca.A
socialista Eurídice Pereira notou que "os autarcas são merecedores da
confiança", pela capacidade que demonstraram na redução da dívida, a par
do aumento do investimento.Para
João Vasconcelos (BE), a anterior governação PSD/CDS-PP foi responsável
pela limitação financeira das autarquias, mas também considerou "lesivo
que este governo volte a não cumprir a LFL", embora não com a dimensão
do passado."A
austeridade acabou, segundo o Governo, e vivemos no País das Maravilhas.
A única diferença é que agora o protagonista chama-se António e não
Alice, mas está tudo bem", ironizou Álvaro Castelo Branco (CDS-PP), que
apontou "o papel fundamental dos municípios" pela recuperação das zonas
afetadas pelos incêndios florestais.