Municípios querem ver alargados os prazos de leis para relançar economia
Covid-19
26 de mai. de 2020, 17:49
— Lusa/AO Online
O Conselho Diretivo da Associação
Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) decidiu “solicitar ao Governo a
renovação até final do corrente ano dos prazos de alguma da legislação
essencial, alterada pelo Governo e/ou pela Assembleia da República, para
que os municípios possam responder à pandemia de covid-19”, disse hoje o
presidente da associação, Manuel Machado.Trata-se,
por exemplo, de “legislação relativa a concessão de isenções e
benefícios fiscais aos cidadãos”, de “apoios a pessoas em situação de
vulnerabilidade” ou de “apoios sociais às crianças e jovens estudantes”,
destacou Manuel Machado, que falava aos jornalistas, em Coimbra,
depois de ter participado numa reunião do Conselho Diretivo da ANMP.Estas e outras normas “são fundamentais para apoiar as populações e as empresas a relançar a economia local”, sustentou.A
ANMP reitera, entretanto, que, “em articulação com todos os órgãos de
soberania, quer participar ativamente na construção do Programa de
Estabilidade Social e Económica, que o Governo está a preparar para o
país”, afirmou Manuel Machado.Desse
programa deve fazer parte “um ‘Simplex’ para a contratação pública”,
sublinhou o presidente da ANMP, defendendo que “só com a alteração do
Código de Contratação Pública se conseguirá que o investimento público”,
designadamente “o investimento municipal, chegue ao terreno” e, assim,
“se comece a revitalizar a economia local” e a economia do país.“As
pessoas precisam de trabalhar, as empresas precisam de recuperar a sua
atividade, os municípios precisam de fazer obras”, acrescentou.É,
por isso, necessário que “o investimento municipal possa ser feito o
mais rapidamente possível”, alertou Manuel Machado, que também é
presidente da Câmara de Coimbra.Também é
preciso “reduzir os prazos envolvidos no processo de contratação
pública, acabar com a base de licitação” ou “reduzir a litigância
pré-contratual”, exemplificou.O presidente
da ANMP reafirmou, por outro lado, a necessidade de “a Lei das Finanças
Locais continuar a ser cumprida”, salientando que “os municípios são
entidades cumpridoras” e “capazes de fazer os seus rolamentos e realizar
a sua atividade em prol das populações, de acordo com os recursos
económico-financeiros disponíveis, que, como é sabido são finitos”.A
Associação de Municípios defende igualmente a execução dos fundos
europeus, destacando que, “no âmbito da reprogramação do [quadro
comunitário de apoio] ‘Portugal 2020’, há ainda 300 milhões de euros
para executar”.Na sequência da pandemia de Covid-19, “há investimentos que passam de uma comparticipação de 85%
para 100%”, recordou Manuel Machado, advogando a reavaliação dos
“investimentos mais urgentes, no sentido de alocar as verbas disponíveis
a esses investimentos”, não só para que seja possível executar mais
fundos europeus, mas também para contribuir para “alavancar a economia
municipal”.