Municípios querem medidas para problema da habitação para depois de 2026
20 de abr. de 2023, 16:33
— Lusa
A
ANMP foi hoje ouvida pelos deputados do grupo de trabalho da comissão
parlamentar de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação, que
trabalha na especialidade as medidas do programa do Governo Mais
Habitação.Alfredo Monteiro (CDU), um dos
vice-presidentes da ANMP, defendeu que o reforço da oferta de habitação é
fundamental, mas deve ir além do plano temporal de 2026 estabelecido
para o Plano de Recuperação e Resiliência.“O
PRR é conjuntural, é muito importante, um enorme desafio para o país,
mas o programa [Nacional de Habitação] assenta no PRR e, portanto, não
se veem outras medidas de investimento que garantam a resolução de um
problema grave para o país e para as famílias e que não se esgotará no
PRR, com certeza”, afirmou.O autarca
considerou muito importante “a alteração e reprogramação do PRR, não só
em relação aos montantes” como “na componente reembolsável”, uma vez “os
custos dos valores padrão não correspondem, de facto, nesta área da
habitação ao que é a situação em concreto”.O
autarca destacou ainda que o Plano Nacional de Habitação tem já “um
diagnóstico insuficiente em relação às reais necessidades” de habitação
pública pelas famílias no país e “não vai muito longe em relação à
necessidade de intervenção dos privados nesta área e da regulação do
mercado nesta área”, numa altura em que Portugal vive uma situação
“dramática para as famílias”.Alfredo
Monteiro salientou também que há “um lapso” do Governo no programa Mais
Habitação, visto que “no conjunto das dez áreas cometidas às autarquias
locais há um conjunto de medidas, nomeadamente no 1.º Direito e na Bolsa
Nacional do Alojamento Urgente e Temporária e no programa Porta de
Entrada, que são, em primeiro lugar, da responsabilidade do Estado”.“De
facto, não nos parece, não são as autarquias os primeiros responsáveis.
Mas, no quadro da Lei de Bases da Habitação, tem que ser o Governo, em
colaboração com as autarquias locais, com os meios naturalmente
indispensáveis”, disse, sublinhando que a transferência de competências
para os municípios na área da habitação “não foi uma transferência
universal”, como aconteceu com as áreas da educação, saúde e ação
social.“Nesta área, não é. E, portanto,
sendo transferido o património do IHRU [Instituto da Habitação e
Reabilitação Urbana] tem que ser com o acordo das autarquias locais.
Esta área da habitação não está transferida para os municípios”,
afirmou, salientando que o parque habitacional do Estado gerido pelo
IHRU “está deplorável”, com bairros “que não têm intervenção há dezenas
de anos, com elevadores parados, sem eficiência energética, que não têm
conforto para as famílias”.Também presente
na audição, o presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova, Nuno Moita,
destacou que a proposta do Governo prevê situações em que o Estado pode
agravar e recolher o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), que é um
imposto dos municípios.“Evidentemente que
as câmaras têm que ter aí uma palavra a dizer sobre isso, senão ficam
prejudicadas do ponto de vista financeiro”, afirmou.O
pacote de medidas proposto pelo Governo para responder à crise da
habitação envolve os municípios, tem um custo estimado em 900 milhões de
euros e visa responder à crise da habitação com cinco eixos: aumentar a
oferta de imóveis utilizados para fins de habitação, simplificar os
processos de licenciamento, aumentar o número de casas no mercado de
arrendamento, combater a especulação e proteger as famílias.Quanto
à agilização dos licenciamento, Alfredo Monteiro admitiu atrasos em
alguns municípios, mas salientou que está a ser feito um trabalho “de
agilização e desburocratização”.“Fica aqui
também a nota de que o país cumpre mal, porque o poder central cumpre
muito mal. O poder central não cumpre prazos, normalmente em matérias
essenciais para a gestão urbanística”, disse, destacando que também
diversas “entidades como a APA [Agência Portuguesa do Ambiente], como o
ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas], as CCDR
[Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional] respondem muito
mal”, contribuindo para atrasos.